21 de janeiro de 2012

CONTA-GOTAS ... Notícias



FILHA DE PEIXE ... Caçula da ex-vereadora Lélia Inês cola grau na Holanda em Ciências Liberais
ESTRESSE .... Peemedebistas ficam “magoados” com a imprensa de Uberaba
SOGRAS EM ALTA ... Servidoras municipais querem plano de saúde para as mães dos maridos
CURIOSIDADE HISTÓRICA .... A escravidão em Uberaba 

SUSPENSE
NA OPOSIÇÃO
Presidentes do PSDB, Luiz Cláudio Campos, e do PSD, Marcos Montes – entre outros que esta colunista ainda não conseguiu descobrir, passaram as últimas horas em reuniões pra lá de agitadas. No centro das atenções, o engenheiro Maurício Cecílio, pré-candidato a prefeito “oficial” dos tucanos. DETALHE: Reuniões cercadas de mistério.

TROCA DE
CARINHOS
Presidente do PSD, deputado federal e médico licenciado da Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM, Marcos Montes, fez questão de divulgar sua presença em evento do Ministério da Saúde, promovido em Uberaba pelo deputado estadual, pré-candidato a prefeito do PT e também médico licenciado da UFTM, Adelmo Carneiro Leão, que, por sua vez, também fez questão de anunciar a presença de MM no evento.
A discretíssima Linda - esposa de Adelmo, marca presença
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“DR. ADELMO E DONA LINDA SUA ESPOSA”
Legenda da foto divulgada recentemente na página do PT no Facebook
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MERCADO DE
TRABALHO
Diretora do Departamento do Legislativo, Patrícia Nery de Carvalho, e a assessora legislativa, Luciana Queiroz, divulgam o calendário de reuniões dos vereadores de Uberaba para fevereiro. Debates e votações de projetos acontecem dias 6, 8, 13 e 15. Apresentação de requerimentos será nos dias 7, 9, 14 e 16. DETALHE: Um dos projetos na lista de espera é a emenda à Lei Orgânica que aumenta o número de vereadores, dos atuais 14 para 21. Matéria já foi aprovada em primeiro turno e precisa passar pela segunda votação.

HUMILDADE...
E o pessoal do PMDB anda estressadíssimo, inclusive – e principalmente, com a turminha da comunicação de Uberaba. A página da legenda na rede social traz o link do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostrando que o diretório municipal está devidamente anotado e em plena vigência. Até aqui, tudo bem.
...FAZ MUITO BEM
O problema é o comentário feito junto com o link doTSE: “Em resposta aos caros articulistas, órgãos de imprensa, partidos políticos e colunistas. Acessem o link abaixo e vejam o registro do PMDB de Uberaba”...Fica evidente que os estressados peemedebistas não gostaram das notícias dando conta de que o diretório havia expirado em outubro de 2011, e portanto, que a legenda estava acéfala...
ESTAVA SEM
COMANDO, SIM!!!!
Independentemente de qualquer reação agressiva, é bom destacar que, segundo o site oficial do TSE, o PMDB estava sim, sem comando. A mais alta instância da Justiça Eleitoral emitia, inclusive, certidão sobre o assunto – quando era consultada pelos jornalistas.
NO AR
De 28 de outubro de 2011 até 18 de janeiro de 2012, a página do TSE indicava que o PMDB de Uberaba estava sem comando. Dia 19 de janeiro – após providências da legenda, aí sim, o TSE passou a emitir certidão informando que o diretório tem validade até 28 de outubro de 2012 (dia do 2º turno das eleições municipais).
EM TEMPO – Vai aqui, uma sugestão: que o PMDB tenha a mesma reação estressada com o TSE – que simplesmente não atualizou o site oficial e o sistema de emissão de certidões.

FILHA DE PEIXE...
Isadôra - Foto que embeleza o convite de formatura
Peço licença pra comemorar uma formatura: de Isadôra Teixeira Caporali, filha da líder feminista – e de outras causas sociais e comunitárias, a ex-vereadora Lélia Inês. Ela cola grau dia 3 de fevereiro, às 11h, em Maastricht, Holanda, pela  University College Maastricht e Catedral St Servatius. DETALHE: Isadôra se forma em Ciências Liberais – e especialização em Direito Público Internacional e Políticas Internacionais.
HISTÓRIA
A cerimônia de graduação será comemorada na Catedral St Servatius, localizada na praça principal de Maastricht - o Vrijtof. É a igreja mais antiga da Holanda, construída no século VI e atualmente transformada em Centro Cultural aberto para exposições e celebrações sociais e acadêmicas, assim como a graduação dos estudantes da UCM.

EXPORTAÇÃO
Banda Lira do Borá - de Sacramento, sob a regência do
maestro Paulo Constâncio, abrilhantou os eventos de
lançamento em Uberaba e em Sacramento
De olho numa cadeira da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, o jornalista Luiz Alberto Molinar foi pra Sacramento, MG, repetir o sucesso ocorrido em Uberaba com o lançamento de Lucília-Rosa Vermelha. O livro conta a história da comunista e revolucionária Lucília Rosa – e os entornos de sua vida, com destaque para acontecimentos de Uberaba e região. História pra despertar todos os sentidos...
NA VIZINHANÇA
Apesar de Lucília ter suas origens em Uberaba, o livro contou com apoio total – inclusive o lançamento, da Editora Bertolucci, sediada em Sacramento. O evento – que teve apresentações musicais e teatrais de altíssima qualidade e sensibilidade, foi apresentado e coordenado pelo vereador e professor Carlos Alberto Cerchi.
VAI ESGOTAR
De autoria de Luiz Alberto e da historiadora Luciana Maluf, e idealizado pela jornalista Evacira Coraspe, a obra está à venda por R$ 50 (com cartão, até em três vezes), na Livraria Alternativa Cultural, rua Major Eustáquio, 500, Uberaba. Pode ser comprado também pela Internet (http://alternativaculturalevirtual.blogspot.com/p/contato.html), com acréscimo de R$ 15 no frete para distância de até 500 km de Uberaba e de R$ 25 para percurso maior.

CONCURSO DE
REDAÇÃO
E falando na Academia de Letras do Triângulo Mineiro, a comissão especial designada para julgar os textos do 2º Concurso de Redação SSPMU acaba de liberar o resultado. Os acadêmicos Terezinha Hueb de Menezes, Mário Salvador e Pedro Lima avaliam que a escolha dos três primeiros lugares não foi uma missão fácil – levando em conta a ótima qualidade dos textos.

DOÇURAS
Enquanto isso, pessoal que colabora com a implementação do plano de saúde dos servidores da Prefeitura de Uberaba está de cabelo em pé. Acontece que, para surpresa de todos – sem exceção, é grande o número de servidoras querendo saber se podem incluir as sogras como dependentes. O certo é que tem gente correndo contra o tempo pra encontrar uma resposta, já que o plano deve entrar em vigor no comecinho de fevereiro.
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CURIOSIDADE HISTÓRICA
Caminhos para a conquista da liberdade

*Cíntia Gomide Tosta e João Eurípedes de Araújo 

A ESCRAVIDÃO NO BRASIL
          "As primeiras expedições portuguesas à costa africana, segundo alguns historiadores, ocorreram no século XV e tiveram como objetivo inicial a exploração das minas de ouro, porém os maiores lucros foram obtidos pelo comércio de escravos.
  Foi com a exploração das colônias americanas que o tráfico atingiu grandes proporções. Os negros aprisionados na África eram trazidos para o Brasil em navios negreiros, também conhecidos por “tumbeiros”, assim chamados em função do grande número de mortes de cativos durante a viagem.
 O Brasil que, durante os períodos Colonial e Imperial, teve como um dos pilares de sustentação de sua economia o trabalho escravo, foi o último país a abolir a escravidão. 
Esse processo longo e complexo foi marcado por vários acontecimentos externos como a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão e a Revolução Industrial e, internos como os ideais abolicionistas trazidos da Europa pelos filhos de brasileiros que iam estudar por lá e, influenciados pelos ideais Iluministas, começaram a defender a abolição e a independência.
Com a fuga da Família Real para o Brasil, em 1808 têm início, no país, várias mudanças de ordem política, econômica, social, cultural e urbanística que acabaram contribuindo para que o Brasil se tornasse independente de Portugal, em 07 de Setembro de 1822 e, posteriormente, para a abolição, em 13 de maio de 1888.
 Após a Independência brasileira, mesmo que timidamente, cresceu no país a “consciência antiescravista”: a primeira Constituição de 1824 no art.179, inciso XIX “abole o açoite, a tortura, a marca de ferro quente e outras penas cruéis”.
Entretanto, segundo FLORENTINO e GOES (1997), apesar da legislação de 1824 proibir a aplicação de castigos cruéis nos escravos, estes só são reconhecidos como humanos por ocasião da prática de crimes, quando saem da esfera de mercadoria e têm seu ato humanizado e penalizado criminalmente.
Como evidência da condição de mercadoria dos escravos, nos processos de Inventário eles são arrolados junto com outras propriedades como: ouro, prata, gado vacum, cavalos, porcos e os bens de raiz.
 Outro fator fundamental para o processo do fim do comércio negreiro, no Brasil, foi a Revolução Industrial desencadeada pela Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, que, já em meados do século XIX, abrangia outros países na Europa. América e Ásia.
Em 1831, o governo brasileiro, pressionado pela Inglaterra, criou uma lei concedendo liberdade a todo africano que chegasse ao Brasil, entretanto essa lei não foi cumprida nem pelos grandes proprietários, nem pelo próprio Governo Imperial.
Em 1833, a Inglaterra abole a escravidão em suas colônias e, em 1845, cria, por meio do Parlamento, a Lei Bill Aberdenn que concedia à esquadra britânica poder para prender qualquer navio negreiro. Em resposta à pressão do governo Inglês, em 1850, o Brasil criou a Lei Eusébio de Queirós que proibiu o tráfico interatlântico de africanos.
Apesar de reconhecida como um marco no processo de fim do comércio negreiro, a Lei Eusébio de Queirós muitas vezes foi desrespeitada. Segundo o historiador Eliezer Nardoto, um dos últimos carregamentos de africanos foi apreendido na cidade de São Mateus, no Espírito Santo, em 1856.

A ESCRAVIDÃO EM UBERABA
          No século XIX, principalmente em função da produção cafeeira no Vale do Paraíba e no Oeste Paulista, foi implementado no país o tráfico intraprovincial do litoral e nordeste, para as regiões cafeeiras do sudeste.
Nessa perspectiva, a jovem Uberaba, ainda um arraial localizado na região sudeste do país, “sertão da farinha podre”, atual Triângulo Mineiro, economicamente sustentado pela agropecuária e pelo comércio de sal, tem seus primeiros registros sobre a escravidão em idos de 1815.
          De acordo com o acervo de inventários do Arquivo Público, os primeiros registros de plantéis de escravos, em Uberaba, datam de setembro de 1816, como consta no inventário de José Vicente de Magalhães e de Joaquina Francisca de Faria, no qual foram arrolados os escravos Joaquim, de Nação Benguela, 50 anos, avaliado em sessenta mil réis; Domingos, de Nação Cassanje, 38 anos, avaliado em cento e vinte mil réis; Joaquim Crioulo, 22 anos, avaliado em cento e cinquenta mil réis.
          Segundo a documentação do APU, a maioria dos escravos africanos trazidos a Uberaba provinham das “nações”: Moçambique, Costa da Mina, Benguela, Cassanje, Cabinda, Congo, Angola, Rebollo e Monjolo.
          Já com relação ao comércio intraprovincial no Brasil, os escravos destinados a Uberaba, de acordo com os registros dos manuscritos do APU, eram em sua maioria provenientes de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. A maioria deles concentrava-se na zona rural, existindo, porém, escravos urbanos que realizavam trabalhos de carregador, pedreiro, ferreiro, alfaiate, sapateiro, cozinheira, e outros.
          De acordo com os inventários e as matrículas de escravos, o cativo uberabense, por trabalhar em um ambiente menos “inóspito”, diferente do trabalho realizado nos engenhos de cana-de-açúcar e das minas, tinha uma perspectiva de vida maior. Os inventários registram uma quantidade expressiva de escravos com mais de 50 e até mesmo com 90 anos.
         Esses mesmos inventários registram ainda grande quantidade de escravos casados.
De acordo com a historiografia brasileira, era muito comum os matrimônios de escravos serem realizados no mês de junho, em ocasião das comemorações de São Pedro, Santo Antônio e São João.
Alguns senhores costumavam, nessa época, convocar um padre para ir até as fazendas e realizar as cerimônias coletivas, sendo menos dispendioso do que deslocarem-se da fazenda para a cidade.
         Em Uberaba, ao contrário da maioria das localidades brasileiras que concentravam grandes plantéis de escravos e realizavam a maioria dos casamentos e batismos no mês de junho, segundo as cópias dos livros de Tombos da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, os negros eram casados e batizados em qualquer época do ano.
          Antes de chegar à cidade, o escravo vivia um constante processo de tráfico, continuamente privado de sua identidade e de vínculos afetivos.
          Essa situação contribuiu para a resistência negra.

RESISTÊNCIA NEGRA
E ALFORRIAS EM UBERABA
        A resistência negra foi algo constante dentro do processo escravocrata e de variadas formas, cada escravo buscava, à sua maneira, a melhor estratégia de encontrar o caminho da liberdade como, por exemplo: a fuga, o homicídio, o suicídio, o compadrio, a omissão, o bom comportamento, algum pecúlio que conseguisse ajuntar no dia a dia e o serviço militar, como registram alguns tipos de alforrias passadas em Uberaba:
Escrava: Clemência Cabra, 19 anos, filha de Tereza Crioula, propriedade de Pedro Gonçalves da Silva e Esposa. Libertada pelos bons serviços prestados aos seus senhores, em especial, à sua senhora no período de sua doença, mas com a condição de lhe servir durante sua vida. Vila de Santo Antônio e São Sebastião do Uberaba, 22 de março de 1841.
Escrava: Maria Crioula, aproximadamente 05 meses, filha de Tristão Crioulo e Izabel Angola, propriedade de Manoel Simões de Sousa e Maria Angélica de São José.  Libertada porque seu padrinho, José Rodrigues Ferreira pagou pela escravinha cinquenta mil réis e também pelo amor que os proprietários lhe tinham. Porém, libertam-na com a condição de acompanhá-los enquanto forem vivos, para bem educar, criar, ensinar a doutrina cristã, a boa moral e um oficio. Vila de Santo Antônio e São Sebastião do Uberaba, 10 de Novembro de 1841.
Liberto: Clemente José Palhares Crioulo, aproximadamente 20 anos. Libertado por assentar praça no Exército como substituto da Guarda Nacional, designado pelo Senhor José Feliciano Dinis, filho de Antônio de Paula Dinis, do qual recebeu a quantia de um conto e quinhentos mil réis. Cidade de Uberaba, 18 de Janeiro de 1869. (Provavelmente esse escravo teve que lutar na Guerra do Paraguai).

CONCLUSÃO
...  Estabelecer estratégias para conseguir a tão sonhada alforria fez parte do cotidiano das relações entre senhores e escravos em todo Brasil.
 Os caminhos para a conquista dessa liberdade foram árduos e complexos. Além da luta dos próprios escravos, contou também com vários movimentos abolicionistas, inclusive com a criação das Leis: “Euzébio de Queiroz” (1850) “Ventre Livre” (1871) e “Sexagenário” (1885) que representam marcos no processo “legal de libertação”.
 O vasto acervo do Arquivo Público de Uberaba, constituído de atas da Câmara Municipal, inventários, alforrias, matrículas de escravos, arrolamentos, manumissão, hipotecas, penhor, petição de carta de liberdade e outros, permite aos pesquisadores, historiadores e principalmente aos estudiosos da escravidão acompanhar, de acordo com esses marcos, os seus diversos aspectos no município, articulando-os ao cenário nacional. Acreditamos que essas pesquisas contribuirão em muito para uma melhor compreensão dessa história multifacetada de nosso país.

*Cíntia Gomide Tosta - Mestre em Psicologia e Especialista em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Atua como docente em cursos de formação e como pesquisadora do Arquivo Público de Uberaba
*João Eurípedes de Araújo - Licenciatura Plena em História, pela Universidade de Uberaba (2005), e pós-graduação lato sensu em História Contemporânea: Construindo a “Nova Ordem” Mundial, pela Universidade de Uberaba (2006). Historiador, pesquisador e auxiliar de documentação no Arquivo Público de Uberaba, atuando principalmente em relação ao tema Escravidão 

FONTE 1 ........ ARQUIVO PÚBLICO DE UBERABA (http://arquivopublicouberaba.blogspot.com/)
FONTE 2 .........ARTIGO/REVISTA MUSEU (http://www.revistamuseu.com.br/default.asp)

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