8 de março de 2012

CONTA-GOTAS..Notícias


Imóvel 518 da rua Coronel Manoel Borges
(Foto: Divulgação)

TOMBAMENTO
Uberaba tem um novo bem tombado pelo município. Trata-se do imóvel localizado na rua Coronel Manoel Borges, 518 – esquina com a rua Afonso Rato, bairro Mercês. Decreto 4.205, de 7 de março de 2012, assinado pelo prefeito Anderson Adauto (PMDB), acaba de ser publicado no jornal oficial Porta-Voz, dispondo sobre o tombamento.
O TEXTO ---Fica tombado como bem cultural e artístico o imóvel (...), cadastrado no Município sob o nº. 211.1609.001.001, por seu valor histórico e cultural para a sociedade de Uberaba e de toda a região do Brasil Central” – diz o artigo 1º.
INVENTÁRIO --- Na lista dos bens inventariados pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba – CONPHAU, e pela Fundação Cultural de Uberaba, o imóvel foi construído em 1942, é de propriedade de Gilberto Salomão, e seu estilo de construção é neocolonial.
NO VOTO --- Vale lembrar que a escolha da casa se deu através de votação – realizada no site da Prefeitura de Uberaba durante o mês de setembro de 2010.  O CONPHAU - seguindo os critérios de valor histórico, arquitetônico e o estado de conservação, apresentou 13 alternativas para a disputa. A casa da rua Manoel Borges recebeu 390 votos.
*Uberaba tem mais de 200 bens inventariados e portanto na fila para tombamento

DOIS MESES
Justiça Eleitoral alerta: quem precisa se alistar ou transferir o título para votar nas eleições de 7 de outubro de 2012 deve ficar atento aos prazos. De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, 9 de maio é o último dia para inscrição eleitoral e transferência de município ou de zona eleitoral. Também é o prazo final para o eleitor com necessidades especiais  solicitar transferência para uma seção de fácil acesso.
ANTECEDÊNCIA --- Para evitar filas, que ocorrem todos os anos, a Justiça Eleitoral recomenda que os interessados se dirijam aos cartórios com antecedência. Por outro lado, para quem deseja apenas requerer a segunda via do título eleitoral, sem qualquer alteração nos dados do documento, o prazo vai até o dia 27 de setembro - dez dias antes do pleito.

MÁS LÍNGUAS
Resultado da votação
(Foto: Divulgação)
Decisão da Câmara de Uberaba de voltar atrás no aumento do número de vereadores divide opiniões e agita os bastidores políticos da cidade – e os não-políticos também. Aposta de muita gente é de que vereadores que votaram contra as 21 cadeiras podem “morrer” de arrependimento quando acordarem dia 8 de outubro de 2012.
URUCUBACA --- Na lista dos agourentos estão, entre outros, um punhado de pré-candidatos a vereador, presidentes dos partidos políticos, e amigos e parentes dos pré-candidatos a vereador e dos presidentes dos partidos políticos.
VOLTANDO ATRÁS --- A mesma Câmara que havia aprovado a emenda à Lei Orgânica em 2011, mudou de ideia e decidiu deixar as coisas como estão, ou seja, com 14 vereadores. Na edição do dia 6 de março, Conta-Gotas já previa esta possibilidade. Veja nota abaixo, publicada na oportunidade:
_NOS GABINETES, NÃO ... Celeuma que pode inviabilizar o aumento de cadeiras na Câmara tem relação direta com outra proposta em tramitação: a de se reduzir a verba de quase R$ 20 mil por mês destinada a cada gabinete dos atuais 14 vereadores. Matéria, de tão assustadora, foi até retirada de pauta e ninguém sabe quando volta ao plenário. Os vereadores até concordaram com as 21 cadeiras, mas antes de se falar em cortes na carne.

JUSTIÇA SEJA FEITA
E por falar na Câmara de Uberaba, duas servidoras acabam de ser reintegradas ao quadro de assistente administrativo II - Adriana Corrêa Rocha Silva e Orcelena de Cássia Queiroz Santos. A determinação é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e a reintegração foi oficializada na edição do Porta-Voz (jornal oficial virtual do município), neste dia 7 de março, quarta-feira.
20 ANOS DEPOIS --- Adriana Corrêa e Cássia Queiroz foram exoneradas após 20 anos de trabalho na Câmara. Comissão designada pelo então presidente Lourival dos Santos (PCdoB) para analisar a situação funcional dos servidores concluiu que elas não tinham direito à estabilidade, uma vez que foram contratadas menos de cinco anos após a promulgação da Constituição de 1988.
REAÇÃO --- Inconformadas com a exoneração, as duas servidoras ingressaram na Justiça. Informações são de que a atual mesa diretora, agora presidida por Luiz Dutra (PDT), pretende recorrer da decisão judicial.

NA TELINHA
Rede Vida de Televisão exibiu na tarde do dia 7 de março a missa de despedida de dom Paulo Mendes Peixoto da diocese de São José do Rio Preto (SP). Presidida por ele próprio, a missa foi marcada por participações de populares, lideranças civis e religiosas, leitura de mensagens, enfim recheada de emoções.  
HORAS ANTES --- No período da manhã o papa Bento XVI havia confirmado sua nomeação como arcebispo de Uberaba. Ele substitui dom Aloísio Roque Oppermann, que renunciou por motivo de idade.
A POSSE --- Posse acontece dia 1º de maio, às 10h. A notícia foi antecipada pelo próprio dom Paulo Mendes, em entrevista à TV Aparecida, na tarde de 8 de março, logo após ele ter se reunido com uma comissão de 14 uberabenses que estiveram em São José do Rio Preto para dar-lhe as boas-vindas. Entre eles, o arcebispo emérito de Uberaba, dom Benedito de Ulhôa Vieira.

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“O destino de Uberaba é ser grande, tanto quanto o seu povo”...
Deputado estadual Adelmo Carneiro Leão – em mensagem no programa político 
do PT de Minas Gerais em rede estadual de televisão
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ENSAIOS
E por falar no PT de Uberaba, vem aí a segunda etapa do Encontro de Comunicação e Redes Sociais – que vale vaga para os pré-candidatos a vereador. A primeira etapa aconteceu dia 25 de fevereiro, e a segunda está marcada para dia 17 de março.
MORAL DA HISTÓRIA --- Quem não sabe se comunicar não sabe fazer campanha.

Primeira etapa do encontro parece ter dado resultado... À direita, próximo à janela, petistas "curtem" um jornal
(Foto: Divulgação)
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DIA DA SAÚDE
(Com dinheiro no bolso)
Uniube – Universidade de Uberaba, promove seu Dia da Saúde em 15 de abril, com a sétima edição da corrida rústica que já se tornou tradição. Evento vai oferecer troféus e prêmios para os vencedores nas categorias masculina e feminina. A largada acontece às 9h, no campus Aeroporto, na avenida Nenê Sabino.
PREMIAÇÃO EM DINHEIRO 
1º lugar – Troféu + R$ 1,3 mil
2º lugar – Troféu + R$ 650
3º lugar – Troféu + R$ 450
4º lugar – Troféu + R$ 350
5º lugar – Troféu + R$ 250
EXTRA --- Após a realização da corrida, haverá sorteio de uma bicicleta entre todos os competidores presentes e devidamente inscritos.
INSCRIÇÕES --- O diretor do curso de Educação Física, Silas Queiroz, informa que a inscrição é gratuita e deve ser feita via internet pelo site www.uniube.br até o dia 12 de abril. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (34) 3319-8833.
CAMISETAS --- Os 300 primeiros atletas que chegarem ao local da prova, no dia 15 de abril,  a partir das 7h, ganharão a camiseta do evento. Para comemorar o Dia da Saúde, a organização sugere que os atletas corram com ela. 

PROJETOS SOCIAIS E AMBIENTAIS
Estão abertas até dia 10 de março, sábado, as inscrições para projetos socioculturais e ambientais, estágios e voluntariado do Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social - IADES, em parceria com diversas instituições de ensino, órgãos públicos, empresas privadas e institutos sociais da cidade. Os editais estão disponíveis no site http://www.institutoagronelli.org.br/
*Informações pelo telefone 3313-0770.

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CURIOSIDADE HISTÓRICA
Saúde mental em Uberaba
*Texto-base: Maria Rita Soukef
Sanatório Espírita na década de 1930, quando foi inaugurado
(Foto: Autoria desconhecida - Restauração: Paulo Lemos -
Fonte: Arquivo Público de Uberaba)
**2ª Parte

Nos documentos do início do século XIX, época da fundação da cidade de Uberaba, não encontramos registros sobre a existência de ‘doentes mentais’, mas é de se supor que eles existissem, ainda que em pequeno número. A população era reduzida e o conceito de doença mental era muito mais restrito do que nos dias de hoje.
Os indicadores de doença mental obedeciam a critérios outros, baseados no comportamento observável. Algumas pessoas, hoje seguramente diagnosticadas como portadoras de transtornos psiquiátricos, eram aceitas pela sociedade, que só tachava de ‘loucos’, aqueles indivíduos que perturbavam, quer pela agressividade, quer por comportamentos bizarros, quer pela extrema passividade.
As obras literárias escritas neste período retratam muito bem a figura do ‘bobo’, do ‘imbecil’, que, normalmente era protegido pela Igreja.
Supõe-se que as famílias mais abastadas escondiam em casa os seus doentes, em quartos próprios ou construções anexas especialmente levantadas, e, se violentos ou agitados, eram também contidos em suas residências.
Esta suposição baseia-se no fato de não encontrarmos nenhum registro de ‘prisão’ para contenção de doentes mentais nos primeiros anos de fundação da ‘cadeia pública’.
Este fato difere do quadro mostrado por historiadores que atestam que a prisão de doentes mentais era um fato bastante comum nas cidades brasileiras no fim do século XIX.
Encontramos, sim, indícios de que nossos doentes mentais, principalmente os ‘mansos’, circulavam livremente pelas vilas da região.
Estes indícios foram encontrados em obras literárias da época, principalmente em ‘Inocência’, de Barão de Taunay, e, no livro de Saint-Hilaire - “Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela Província de Goiás”.
Parece que alguns, principalmente os sem recursos econômicos, viviam perambulando pelas ruas e estradas, à mercê da caridade pública.
HOSPÍCIO DE CARIDADE
Quando, em 6 de abril de 1839, a Lei Provincial Mineira número 148, autorizou as Câmaras Municipais a construir hospitais de caridade em seus municípios, frei Eugênio Maria de Gênova dirigiu-se à Câmara Municipal de Uberaba, com a seguinte petição:
“Tendo reconhecido que cada vez se faz mais sentir a necessidade de criar-se um hospício de caridade, nesta cidade, para amparo dos doentes desvalidos, vem, por esse meio pedir se lhe dê licença para a construção do sobredito edifício, concedendo-lhe para este fim, trezentos e vinte palmos de frente, com o respectivo fundo, no terreno denominado Largo do Rancho”.
(Fonte: Arquivo da Câmara Municipal)
Este terreno foi concedido, mas com suas dimensões reduzidas. Imediatamente, frei Eugênio passou a angariar fundos para a construção do hospital e, na época, alguns ‘espertalhões’ chegaram a solicitar, em proveito próprio, auxílios, como se fossem destinados à construção.
Em 1862, às pressas, foi preparada uma ala do prédio para receber portadores de varíola.
A partir daí, desvirtua-se o projeto original de nosso hospício, que sutilmente passou a hospital geral.
Em 1923, o então provedor do hospital Dr. José Ferreira, tenta, novamente, colocar em prática o projeto original de frei Eugênio.
Em matéria do Jornal Lavoura e Comércio de 15 de março de 1923, encontramos:
“Contando com o apoio eficaz dos habitantes do Município, o Sr. Dr. José Ferreira, ilustrado médico e honrado Provedor do nosso Hospital de Misericórdia, já mandou fazer o nivelamento do terreno para a construção dos primeiros pavilhões.
Trata-se de uma obra de vastas proporções, destinada a prestar serviços a toda a região do Triângulo, seria de se esperar que o Governo do Estado lhe oferecesse auxílios materiais destinando-lhe uma boa verba no orçamento para o ano vindouro. Não consistiria isso precedente na vida administrativa de Minas, porquanto na nossa lei orçamentária algumas vezes têm figurado parcelas para fins humanitários como esse.
Além disso, o Governo do Ex.mo. Sr. Dr. Raul Soares cogita da criação de hospitais regionais para psicopatas. Nenhuma zona de Minas necessita tanto como esta de um instituto dessa natureza, porque se acha desaparelhada de meios para o tratamento das doenças neuro-psíquicas. Nisto, como em tudo o mais, recorremos ás instituições paulistas, não só por estarem servidas de rápidas comunicações, como por serem modelares. A fundação de pavilhões nesta cidade para o tratamento das moléstias mentais, resolveria o problema que o Governo tem em vista, servindo aos demais, uma zona vasta e longínqua do Estado, e, ao mesmo tempo, tornaria nosso hospital um dos mais completos e importantes do interior.”
COMUNIDADE COLABORA, MAS HOSPITAL É DESVIRTUADO
A verba não veio e a construção dos novos pavilhões foi financiada por doações da comunidade, campanhas feitas pelos médicos e suas esposas (na época Uberaba já contava com 30 médicos). Enfim, uma mobilização de toda a sociedade Uberabense permitiu que uma “Santa Casa” modelo fosse construída.
Não se sabe porque, entretanto, nenhuma de suas novas instalações, inauguradas em 25 de março de 1935 , foi destinada ao tratamento de doentes mentais.
Houve um grande investimento em salas de cirurgia, equipamentos, enfermarias, e até uma lavanderia dotada de todos os recursos disponíveis foi instalada.
Não encontramos registros que esclareçam este fato, mas, presumimos que a vinda para Uberaba do Dr. Carlos Smith, famoso cirurgião , fez com que se criassem espaços para a prática das cirurgias, inaugurando uma nova era na medicina da cidade, deixando em segundo plano novamente, a idéia de Frei Eugênio de implantação de um Hospital para tratamento de doenças mentais.
VIZINHANÇA
(Capão da Onça)
O primeiro ‘serviço de saúde mental’ da região foi criado em 1914, na cidade de Veríssimo, distante 52 km de Uberaba. O Sanatório de Rufinópolis, conhecido também como ‘hospital do Capão da Onça’, nasceu da iniciativa de um grupo espírita daquela região, que, sensibilizado com a situação de alguns doentes, resolveu criar uma casa para acolhê-los. Este grupo, presidido por membros da família Alves Urzedo, buscou recursos junto aos seus membros e à comunidade e criou um sanatório que comportava com ‘folga’ 30 doentes. Estas vagas foram rapidamente preenchidas.
O ‘tratamento’ consistia em suprir as necessidades básicas dos internos, que eram alimentados e abrigados na instituição, mas não recebiam nenhum tipo de atenção outra se não a espiritual. Nos finais de tarde, era obrigatório o comparecimento ao culto espírita, onde todos recebiam ‘ passes’.
Em entrevista com pessoas da família Alves, soubemos que, mesmo os doentes mais violentos participavam dos cultos sem que se precisasse usar a força.
Contam que, um paciente ‘diagnosticado como furioso’, tinha o hábito de fugir sempre, mas nos horários de culto estava de volta, por interseção dos bons espíritos.
Era para este espaço que enviavam os doentes mentais carentes da região, que de internos passavam a residentes já que não se tem notícia de qualquer forma de desligamento da instituição, ou seja, de ‘altas‘. Talvez isto se deva ao fato de que, uma vez ‘acolhidos’, os doentes perdiam os vínculos com as famílias e com a comunidade e se tornavam só ‘pacientes do Capão da Onça’, além de não receberem nenhum tratamento.
Este hospital foi fechado em 1981, depois de funcionar por 67 anos ininterruptamente.
SANATÓRIO ESPÍRITA
(Inácio Ferreira)
Uberaba continuava sem serviços de saúde mental, até que o Centro Espírita Uberabense, liderado pela Sra. Maria Modesto, criou um espaço de acolhida para andarilhos, mendigos e doentes mentais que perambulavam pelas ruas ou estavam ‘presos’ em suas residências. O Sanatório Espírita de Uberaba nasce em 31 de dezembro de 1933.
O tratamento, no início também era “espiritual”, e os pacientes recebiam passes e água fluidificada.
Durante 30 anos o trabalho do Sanatório foi voltado para o social, acolhendo e cuidando de pessoas sem vínculos familiares, não necessariamente só portadores de patologias psiquiátricas.
A década de 1960 marca o início do tratamento “científico” no Sanatório Espírita, com a contratação do Dr. Inácio Ferreira, antes assistente do Dr. Carlos Smith, em clínica cirúrgica.
Ainda, nesta nova fase, persiste o tratamento espiritual, que acontece junto a administração de medicação e de outros métodos científicos usados na época.
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
(Paulo Lacerda)
Antes disso, ainda na década de 1960, o Dr. Paulo de Lacerda, vindo do Rio de Janeiro, cria o Hospital Psiquiátrico de Uberaba, mais precisamente em 9 de outubro de 1960.
O novo hospital atendia pacientes de toda a região, normalmente aqueles de maior poder aquisitivo, já que era particular.
A capacidade de atendimento era de 35 pacientes mas, segundo o depoimento de familiares do Dr. Paulo, sempre atendeu a um número superior. Contava com uma ótima estrutura física, dois pavilhões para pacientes masculinos e femininos, grande área verde, muitas áreas destinadas á recreação e atividades outras.
Durante um curto período de tempo, o hospital contou com estagiários da recém-criada Faculdade de Psicologia, mas, durante toda a sua existência, as atividades, quer fossem clínicas ou administrativas, estavam centralizadas nas mãos do Dr. Paulo de Lacerda, que trabalhava sozinho.
O hospital funcionou até 16 de abril de 1984, quando foi fechado. Segundo as fontes consultadas, seu proprietário já estava idoso, e, como nenhum de seus filhos tinha interesse em continuar seu trabalho, optou por encerrar as atividades.
Este hospital nunca teve vínculos com seitas religiosas e seu proprietário não acreditava em tratamentos espirituais e, segundo membros de sua família , sempre investiu em aprimoramento profissional, participando, até o fim de sua vida, de cursos e congressos científicos.
Parece ter contribuído também com a criação da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Uberaba, da qual foi eleito presidente em uma gestão.
ASSOCIAÇÃO CRISTÃ
(Dona Silvana)
Uberaba, no final da década de 1960, já era um ponto de referência para tratamento psiquiátrico na região, e para cá vinham pessoas de todo o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba buscando atendimento.
Em 1964, começa a funcionar na cidade a Associação Cristã de Amparo aos Pobres.
Esta entidade foi criada para atender outra clientela, até que, em 1966, uma de suas dirigentes, que já havia sido internada para tratamento psiquiátrico, em visita a um hospital da cidade, ficou comovida com a situação de alguns pacientes.
Uma paciente em particular chamou a atenção: era uma mulher jovem que além de “esquizofrênica”, estava com um problema dermatológico “grave”. Esta paciente não estava sendo bem cuidada no hospital e sua família a tinha abandonado.
A sra. Silvana resolveu levá-la para sua residência e cuidar dela.
A partir daí, a casa passou a receber mais e mais pacientes , em sua grande maioria, sem vínculos familiares . Para tal empreendimento, a sra. Silvana contou com o apoio do Dr. Inácio Ferreira, na época diretor-clínico do Sanatório Espírita.
Pela casa já passaram mais de 1.000 doentes mentais.
A Associação sobrevive de doações e campanhas realizadas por seus membros e simpatizantes, não conta com nenhum apoio das entidades governamentais.
Sua presidente cuida de todas as questões, atuando como “mãe e enfermeira”, além de cuidar da parte administrativa. Atualmente a casa acolhe 60 pacientes, tendo a Sra. Silvana que dividir seu próprio quarto com duas outras moradoras.
A Associação tem orientação espírita ,e realiza trabalhos de cura, passes e leitura do evangelho. 
CURSO DE PSICOLOGIA
(Francisco Guerra)
Em 1973 é criado o Curso de Psicologia da Universidade de Uberaba, então chamada Faculdades Integradas de Uberaba e, para suprir carências na formação de seus alunos, o professor de disciplina Psicopatologia, Dr. Francisco Mauro Guerra Terra cria uma clínica neuropsiquiátrica em sua residência.
Esta clínica, criada em 1979, contava com psicólogos, neurologista e psiquiatra. Funcionava em regime aberto, os pacientes circulavam livremente pelo local e alguns, supervisionados, executavam tarefas fora da instituição. Não existia tempo pré-determinado para internação, sendo cada caso analisado e conduzido de acordo com suas necessidades. Atendia a 12 pacientes e alguns deles só participavam de atividades oferecidas pela clínica, retornando às suas residências no final do dia.
Funcionou durante cinco anos, encerrando suas atividades em 1984.
SAÚDE MUNICIPAL
(Sensibilização)
Até a década de 1980 não havia em nível municipal nenhuma atividade estruturada de atenção em Saúde Mental.
Em 1982, alguns profissionais da área, preocupados com este fato, se reuniram e partiram para um trabalho de sensibilização das autoridades para a importância desta assistência.
A prefeitura resolve implantar, no âmbito da então Secretaria Municipal de Saúde e Assistência social, a prestação de serviços de atendimento aos doentes mentais.
A partir daí, surge a preocupação com a prevenção da doença mental e a consequente criação de um “Serviço de Saúde mental” do município, incluído no Sistema de Saúde Pública.
Quatro anos após a implantação deste serviço, os atendimentos eram realizados em oito Unidades Sanitárias.
Em 1987, um curso de Saúde Mental em Saúde Pública, ministrado pela Dra. Darci Neves dos Santos, criou condições para uma análise diagnostica da situação no município, bem como para a formulação de propostas e objetivos a curto, médio e longo prazo.
Estas propostas passavam pela reestruturação da assistência no nível primário, pela criação de um Ambulatório Especializado em Saúde Mental e a criação de um Pronto-Socorro Psiquiátrico, como também pela tentativa de integração entre as diversas instituições prestadoras desta assistência no município.
Ainda no final de 1987, iniciou-se um trabalho ambulatorial de pequena envergadura para atender a demanda que necessitava de um nível mais complexo de atenção.
Ao longo de quatro anos de funcionamento houve uma grande procura da população por um atendimento de maior complexidade e este ambulatório encontrava dificuldades em responder a essa demanda, pela existência de limitações no serviço, especialmente quanto à estrutura física e recursos humanos.
Decidiu-se, então, pela reestruturação daquele Ambulatório, propondo a criação de dois espaços diferenciados, um para atenção à clientela infantil e outro para a clientela adulta, o CRIA e o CAPS - inaugurados em 1997.
HOSPITAL DIA
Em maio de 1988, a Uniube (Universidade de Uberaba), através do Departamento de Psicologia, implantou o projeto “Hospital Dia” para atendimento de doentes mentais.
Para tal, contratou uma equipe composta de psiquiatra, psicólogos, assistentes sociais e profissionais de outras áreas.
Para esta equipe, foram escolhidos profissionais especializados e/ou com grande interesse no trabalho com esta clientela.
Além disso, os profissionais contavam com supervisão clínica e institucional. O Hospital Dia atendia em média 30 pacientes e seu objetivo, além de um investimento clínico, era a reinserção social do doente mental.
Funcionou até meados de 1990, quando foi fechado por determinação da diretoria da Universidade, que julgava desnecessário um trabalho dedicado exclusivamente ao doente mental.
DOM QUIXOTE
(Pouco tempo)
Ainda no início da década de 1990, uma clínica psiquiátrica particular começa a funcionar em Uberaba: a Clínica Dom Quixote.
Contando com um ótimo espaço físico e com um quadro de profissionais com experiência neste tipo de trabalho e, com um projeto terapêutico bem estruturado, ainda assim a Dom Quixote funcionou por pouco tempo, fechando as portas alguns anos depois.
ATENDIMENTOS ATUAIS
Atualmente, Uberaba conta com uma rede de serviços de atenção em saúde mental assim composta :
*Unidades básicas de saúde
Atendimento preventivo direto e terapêutico ambulatorial
Conta com 57 profissionais, distribuídos em 17 unidades
*FUNEPU e Hospital Escola
Conta com 10 profissionais psicólogos e 5 psiquiatras, realizando atendimentos ambulatoriais
*Clínica de Psicologia Aplicada –Uniube, com um quadro de profissionais composto de psiquiatra, psicólogos e estagiários, e atendimento ambulatorial.
*NAPS – Fundação Gregório Baremblitt - Atendimento terapêutico ambulatorial (nível secundário)
*CAPS Municipal Dr. Inácio Ferreira - Atendimento terapêutico ambulatorial (nível secundário)
 *Sanatório Espírita de Uberaba - Atendimento terapêutico hospitalar (nível terciário), credenciado como referência regional com 160 leitos psiquiátricos
*Unidades hospitalares cadastradas no SIH–SUS”

*Texto foi extraído de monografia História dos Movimentos Religiosos e Serviços de Saúde Mental em Uberaba - elaborada pela psicóloga Maria Rita Soukef para obtenção de título de especialista em Saúde Mental pela Esmig - Escola de Saúde de Minas Gerais. Maria Rita Soukef atende em consultório e na Adefu – Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba, onde trabalha com reabilitação. Ela está em processo de formação em Psicanálise.
**Este texto conclui a publicação da monografia; a primeira parte - sobre religiões, foi publicada na edição de 6 de março de Conta-Gotas

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