27 de março de 2012

CONTA-GOTAS...Notícias


"Não há leitura simbólica nesses sinais
deixados pelas palmas
abertas e aptas ao contato
o que se lê
é a própria impressão de dados de tatos
e a certeza do que passou ali"
*Jorge Alberto Nabut

VAMOS AO TEATRO...
Academia de Letras do Triângulo Mineiro, Fundação Cultural de Uberaba e Teatro Sesiminas – Centro Cultural José Maria Barra, convidam para a estreia do espetáculo Geografia da Palavra, que a Cia. Rogê apresenta neste dia 28 de março, quarta-feira, 20h, com entrada franca.
A OBRA ---- Geografia da Palavra é baseado em textos do livro homônimo, lançado em 2011 por Jorge Alberto Nabut. A peça procura traduzir – segundo seus produtores, “os jogos de palavras, o experimentalismo poético, a crítica social e a universalidade dos escritos registrados no livro homônimo lançado no ano passado”.
REVISITAÇÃO --- Pela segunda vez a Cia. Rogê viaja pela poesia do escritor e jornalista Jorge Alberto. Já apresentou na íntegra o poema A Casa das Três Janelas (2010). O novo espetáculo é produzido em parceria com o Ponto de Cultura no Caminho dos Saltimbancos, fará sua estreia no Teatro Sesiminas, e em abril cumprirá temporada popular no Teatro Experimental de Uberaba - TEU.
DOSE TRIPLA
Vale lembrar que é a terceira vez em poucos meses que a Academia de Letras do Triângulo Mineiro se vê em evidência através de lançamento de obras envolvendo acadêmicos. Além de Geografia da Palavra – baseado em obra do vice-presidente, Jorge Alberto, também foram lançados o livro de crônicas Seguir Adiante, da acadêmica e ex-presidente Terezinha Hueb de Menezes, e José Alencar, missão cumprida, do acadêmico e co-fundador da Academia, Cesar Vanucci.

FICHA TÉCNICA
Eduarda Cunha e João Victor Rodrigues
(Foto: Kate Árabe)
Cia. Rogê apresenta: Amanda Araújo, Anna Carla Oliveira, Éder Bernardes, Eduarda Cunha, Guilherme Martins, João Victor Rodrigues, Lara Fakih, Laura Resende, Natália Patrícia e Olavo Gonçalves
Geografia da Palavra: Baseado na poesia de Jorge Alberto Nabut
Dramaturgia, direção-geral e coreografias: Emílio Rogê
Direção-assistente e ensaiadora: Vanessa Dornellas
Direção de palco: Gabriela Costa
Preparação vocal: Alexandre Oliveira
Direção de produção e contrarregragem: Mayume Maruke
Execução de cenários: Gilmar Alves
Execução de figurinos: Genieide das Graças Silveira
Maquiagem: Grazy Tavares
Visagismo: Giovanna Nassif
Direção de elenco: Olavo Gonçalves
Design de som e luz: Liliane Rogê
Produção-executiva: Kate Árabe
Realização: Cia. Rogê em parceria com o Ponto de Cultura no Caminho dos Saltimbancos

FERVURA À VISTA
Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais já está disponibilizando em sua página virtual (http://www.tre-mg.jus.br) um link para receber denúncias de propaganda eleitoral extemporânea, feita por “apressadinhos” tanto nas ruas quanto na internet. Vale lembrar que a propaganda é permitida a partir do dia 6 de julho.
SEM PERDÃO ---- De acordo com o TRMG, nas eleições gerais de 2010, quando o sistema foi implementado pela primeira vez, o serviço registrou quase três mil denúncias, sendo que as queixas mais recorrentes se referiram a cavaletes, cartazes, carros de som e placas irregulares.
OLHO NO OLHO --- Um detalhe importante é que o sistema não aceita denúncias anônimas. É obrigatória a identificação do denunciante. Por outro lado, seus dados pessoais ficarão restritos à Justiça Eleitoral e não constarão do expediente instaurado para constatação da irregularidade.

INFELICIDADE
Secretário da Fazenda de Uberaba, Edvar Newton Pereira, anuncia para dia 4 de abril o pagamento dos salários dos servidores municipais relativos ao mês de março. Enquanto os 7.686 funcionários aguardam, na maior infelicidade, a liberação dos salários, os sindicatos – mais infelizes ainda, se mobilizam nos preparativos de suas respectivas assembleias. Vão levar indicativo de greve para ser discutido e votado pelos servidores da Prefeitura (administração direta e indireta e professores).

Alunos da Escola Estadual Corina de Oliveira no agitado primeiro dia
do Expresso Cidadania em Uberaba
(Foto: Guilherme Dardanhan - Assembleia Legislativa de Minas Gerais)
JOVENS NA MIRA --- Presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado estadual Dinis Pinheiro (PSDB), abriu, neste dia 26 de março, segunda-feira, o projeto Expresso Cidadania 2012 em Uberaba. Criado em 2008, através de  parceria entre a Assembleia Legislativa, a Secretaria de Estado da Educação e o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, o projeto  tem o objetivo de estimular a participação política de jovens entre 16 e 17 anos, inclusive por meio do cadastramento eleitoral.
PÉ NA ESTRADA --- Dez cidades recebem o Expresso Cidadania em 2012 – ano de eleições municipais (prefeito, vice e vereadores). No caso de Uberaba, a movimentação se estende a até 27 de março.
XÔ, DROGAS! --- Os  estudantes de escolas estaduais – público-alvo das atividades, também ouvem palestras e participam de debates sobre drogas.
AGITOS --- Os adolescentes recebem informações sobre política, democracia e cidadania, e participam de atividades teatrais e oficinas de produção de textos, de imagens, de som e de expressão corporal. Agitação é coordenada por Ludovikus Moreira, professor da Escola do Legislativo e apresentador do evento.
TRAJETÓRIA --- Titular da 276ª Zona Eleitoral e diretor do foro eleitoral da comarca de Uberaba, o juiz Fabiano Rubinger lembrou que o voto é facultativo para os eleitores de 16 e 17 anos de idade, mas, que suas responsabilidades são as mesmas de um adulto na hora de escolher os candidatos. Disse que é preciso conhecer a história e a trajetória política de quem concorre nas eleições, para que o voto seja o mais valorizado possível.
OS ADOLESCENTES .... Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral mostram que os adolescentes de 16 e 17 anos andam mesmo, precisando de um estímulo. No caso de Uberaba, por exemplo, de janeiro de 2011 a janeiro de 2012 houve uma redução de 244 adolescentes eleitores. A queda aconteceu em relação aos dois sexos e às duas faixas etárias na mira da Justiça Eleitoral.
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 “É FUNDAMENTAL PARA O MUNICÍPIO E REGIÃO A CONQUISTA DA PREFEITURA DE UBERABA PELO PT”.
*Fábio Macciotti – Presidente licenciado do PT de Uberaba e atual presidente da Fundação Cultural, em comentário na rede social
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QUEM SERÁ?
Com pré-candidatos aos montes, os adversários políticos do prefeito Anderson Adauto (PMDB) tentam encontrar o nome ideal pra enfrentá-lo nas eleições de 2012. Entenda-se por “ideal” um nome capaz de convencer o eleitorado de Uberaba de que o atual governo se esgotou. O maior problema nesta história toda é que as pesquisas de opinião, mesmo no último ano de dois mandatos, ainda indicam aprovação popular para o governo.
POR ENQUANTO --- Dias atrás, sob a liderança do presidente do PSD, deputado federal Marcos Montes, representantes de vários partidos voltaram a conversar – após um tempinho assim, meio que sem rumo. Consta que estavam lá, além do PSD, o DEM, PSDB, PTB, PSB, PP, PDT, PMN e PSDC.
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OS MEANDROS DAS REDES SOCIAIS

(...) O senhor ficou de me dar a resposta sobre a reunião com os agentes penitenciários e até então o senhor não me falou nada. O que queremos são respostas para nossas perguntas, já que na época das eleições vocês falam, prometem muitas coisas, e depois?”...
*Keila Cristina – Eleitora internauta, em comentário postado no mural do deputado federal e presidente do PSD de Uberaba, Marcos Montes

Prefeito Anderson Adauto, por que em vez de mexer na sinalização da cidade (...) o senhor não olha pra saúde pública no Residencial 2000, que está sem médico, e nos postos superlotados nos finais de semana e feriados, quando não tem pediatra nos centros médicos? Fizeram pesquisa que dá aprovação de 70% na área da saúde. Me falem, por favor, onde foi feita essa pesquisa? Na lua?”
*Marinalva Helena --- Eleitora internauta, em comentário postado em vários murais da rede social

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PISANDO EM OVOS --- Questionado aqui e acolá, se pretende promover mudanças após tomar posse no comando da Arquidiocese de Uberaba, dom Paulo Mendes Peixoto colocou a cintura pra funcionar. Disse que não conhece a estrutura a fundo, que só esteve duas vezes em Uberaba, e ainda assim, rapidamente, e que precisa se inteirar de tudo e de todos antes de qualquer decisão. Só o tempo pra dizer se haverá necessidade de mudanças – afirmou.
CORTESIA
A visita neste dia 26 de março, segunda-feira, foi a terceira passagem pela cidade, mas a primeira depois de sua nomeação, e considerada uma cortesia pela Arquidiocese, já que não integra as atividades formais do cargo. Dom Paulo concedeu entrevistas à imprensa, participou de café da manhã com a comunidade católica – religiosos e leigos, e marcou presença na Cúria Metropolitana, na Catedral e no Seminário de Teologia São José .
POSSE
Nomeado pelo Papa Bento XVI dia 7 de março, o novo arcebispo de Uberaba toma posse no feriado de 1º  de maio. Data sintomática: Dia do Trabalho.
ARQUIDIOCESE --- Dom Paulo Mendes Peixoto vai assumir uma estrutura que a Igreja Católica chama de Província Arquidiocesana. Neste caso, com quatro dioceses: Uberaba, Uberlândia, Patos de Minas e Ituiutaba. A diocese de Uberaba foi criada em 29 de setembro de 1907 e elevada a Arquidiocese em 14 de abril de 1962.
A SEDE --- Só a sede – Uberaba, tem 26 paróquias. Além disso, conta com dois Santuários – de Nossa Senhora da Abadia, que é a padroeira da cidade, e de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.

Dom Paulo Mendes
(Foto: Divulgação)
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Por enquanto estou procurando me adaptar ao título de arcebispo”.
*Dom Paulo Mendes Peixoto – em comentário feito por onde passou, durante a visita de cortesia a Uberaba neste dia 26 de março
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CURIOSIDADE HISTÓRICA
Bispos e arcebispos de Uberaba
*Em tempos de nomeação e visita "de reconhecimento" do novo arcebispo a Uberaba, a coluna publica novamente o especial sobre os bispos e arcebispos, sem deixar de admitir um gostinho especial pela história do primeiro bispo...

1º Bispo de Uberaba
Dom Eduardo Duarte Silva
De 1907 a 1923
*Decisões drásticas
Eduardo Duarte e Silva nasceu em Desterro, hoje Florianópolis, SC, aos 27 de janeiro de 1852.
Filho de Carlos Duarte Silva e D. Maria Leopoldina Marques Guimarães, estudou em Florianópolis e no Rio de Janeiro com os jesuítas junto aos quais despertou sua vocação sacerdotal.
Com apenas 16 anos, em 1868, foi para Roma estudar Filosofia no Colégio Pio Latino-Americano.
Foi ordenado padre em 19 de dezembro de 1874 pelo Cardeal Patrizzi e ficou mais quatro anos em Roma até doutorar-se em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana.
Também em Roma, recebeu um título universitário assemelhado a um Mestrado em Direito Canônico.
Já no Brasil fez cursos de especialização em Direito Civil Brasileiro e Laudêmio, uma antiga taxa eclesiástica.
No Rio de Janeiro, foi nomeado capelão do navio de instrução “Javari”, sob o comando de seu tio, Almirante.
Foi morar com seus pais em Florianópolis onde foi, por dois anos, coadjutor de Paróquia. Falecendo seu pai, toda sua família foi morar no Rio de Janeiro onde ele trabalhou por 13  anos como auxiliar dos serviços na Catedral.
Foi designado, em 1880, Capelão Imperial, em cerimônia a que compareceu o Imperador D. Pedro II.   
NOMEAÇÃO EM GOIÁS 
(Linhas tortas)       
A nomeação de Monsenhor Eduardo para bispo de Goiás se deu de uma maneira única na história eclesiástica brasileira.
No Rio, era amigo de Monsenhor Joaquim Arcoverde de Albuquerque Calvacanti, que recusou ser bispo por duas vezes: uma vez para bispo Coadjutor da Bahia e outra para bispo de Goiás.
Desejando explicar-se pessoalmente ao Papa Leão XIII, ele iria à Santa Sé.
Convidou Monsenhor Eduardo Duarte e Silva para acompanhá-lo até Roma.
Assim, Monsenhor Eduardo foi a Roma simplesmente para ter a oportunidade de assistir a uma audiência papal.
Na audiência do Papa Leão XIII com Monsenhor Arcoverde, em 1891, o Papa nomeou monsenhor Eduardo bispo para a diocese de Goiás, vaga pela renúncia de Monsenhor Arcoverde.
Naquele tempo uma carta de Roma ao Rio de Janeiro demorava 3 meses. Para poupar tempo e burocracia de tanta demora, Leão XIII, pessoalmente, convidou Monsenhor Eduardo para ser bispo da Diocese de Goiás.
Foi assinada a bula de nomeação de bispo de Goiás, a 22 de janeiro de 1890.
Assessores papais combinaram a data da sagração do novo bispo, celebrada, 15 dias depois, a 8 de fevereiro de 1890, pelo Cardeal Parochi, na Capela do Colégio Pio Latino Americano, onde já se celebrara também a ordenação sacerdotal de Pe. Eduardo, 16 anos atrás.
Pela distância, por procuração, D. Eduardo tomou posse de sua Diocese, e somente meses depois, a 29 de setembro de 1891, entrou na Catedral de Goiás Velho, antiga capital do Estado.
CONTATO COM UBERABA
Para tomar posse de sua Diocese, dom Eduardo viajou do Rio de Janeiro até Uberaba de trem, onde permaneceu por dois ou três dias organizando sua viagem em “comitiva”, isto é, em turma de tropeiros que se encarregavam de toda a viagem, a cavalo, até Goiás.
Incluindo Uberaba, no final do século XIX, a Diocese de Goiás abrangia todo o Estado de Goiás até a Arquidiocese de Mariana, no Sul de Minas.
Tinha 94 paróquias e 54 estavam sem padre.
INTERFERÊNCIA MILITAR
Em 1896, um general republicano houve por bem requisitar o prédio do seminário diocesano, sob a alegação de urgente prioridade a favor de um hospital militar.
Inutilmente o bispo repetiu inúmeras vezes que a Revolução Republicana não deixara nenhum soldado ferido e não havia, em Goiás, nenhum soldado doente necessitado de internação hospitalar.
Em vão dom Eduardo entregara cópia de um Decreto do Governo Republicano determinando que não podiam ser confiscados os bens da Igreja.
Assim mesmo foi mantida a requisição.
REAÇÃO - DE VOLTA A UBERABA
Em represália com a perseguição política de 1896, dom Eduardo tomou uma drástica decisão.
Contratou uma tropa de 60 burros e em viagem de 39 dias, com seus mais promissores 20 seminaristas, os livros da Diocese, toda uma rica biblioteca, paramentos e objetos de liturgia, armários de arquivos, apetrechos de cozinha de viagem tropeira.
A cozinheira do seminário de Goiás era uma viúva, a quem dom Eduardo arrumara emprego e moradia. Ela mostrou desejo de vir para ser a cozinheira de viagem e no novo seminário do bispo. Essa viúva trouxe um menino que foi batizado por D. Eduardo, com o nome de Eduardo em homenagem ao benfeitor.
Foi educado com os requintes de uma boa formação cultural de Letras, Filosofia, Teologia e Direito Canônico, junto com os alunos do seminário. Morreria em Uberlândia como Monsenhor Eduardo.
DESFILE, TRIUNFO E CATEDRAL
Dom Eduardo chegou triunfante a Uberaba em 10 de agosto de 1896.
O povo aclamou a numerosa comitiva que desfilou pelas ruas centrais da cidade.
O bispo de Goiás desde 1891, passou, de 1896 a 1907, a residir em Uberaba.
Dom Eduardo escolheu como sua residência esta cidade porque, à época era uma cidade de grande desenvolvimento, com um bom jornal e sobretudo porque ligada a São Paulo e Rio de Janeiro por muito boa Estrada de Ferro e ligada ao mundo por via telegráfica e postal.
Também em homenagem à cidade de Uberaba que o acolheu tão bem, logo nos primeiros meses solicitou ao Vaticano para ser criada a nova Diocese de Uberaba, desmembrando-a do vastíssimo território da Diocese de Goiás.
Só no início de 1907, dom Eduardo teve a certeza que a Santa Sé criaria a nova Diocese de Uberaba.
Mas o Vaticano condicionara a criação da nova Diocese de Uberaba à construção da catedral.
Com o auxílio do povo muito bem motivado, ele constrói sua Catedral, inaugurada em 27 de janeiro de 1907.
E para provar que estava obedecendo à condição da Cúria Romana, dom Eduardo mandou que se escrevesse no frontispício da futura catedral do Largo do Cuiabá, as palavras em Latim que até hoje se lê: “DIVO. CORDI. JESU. POSUIT EDUARDUS EPISCOPUS GOYAS 1905” = “AO DIVINO CORAÇÃO DE JESUS, ESTABELECEU EDUARDO, BISPO DE GOIÁS EM 1905”.
Dom Eduardo mandou tirar foto da fachada da futura catedral.
Cumpridas todas as exigências impostas por Roma foi criada a Diocese de Anuário da Arquidiocese de Uberaba 14 Uberaba em 29 de setembro de 1907.
Pelas circunstâncias de dom Eduardo ser ainda bispo de Goiás, ele só tomou posse da Diocese de Uberaba quando Roma o autorizou pelo Breve Apostólico “Apostolatus Officium” de 8 de novembro de 1907, desligando-o da Diocese de Goiás e nomeando-o primeiro bispo de Uberaba.
Sua posse da Diocese de Uberaba foi dia 24 de maio de 1908.

2º Bispo de Uberaba
Dom Antônio de Almeida Lustosa
De 1925 a 1928
*Sagrado Coração de Jesus
Nomeado por Pio XI, tomou posse em Uberaba em 1° de março de 1925, e já em sua primeira carta circular consagrava sua Diocese ao Sagrado Coração de Jesus determinando que em todas paróquias, em determinado dia fixo de cada mês, houvesse, durante todo o dia, a exposição do Santíssimo Sacramento, com o maior número de adoradores possível.
Dom Lustosa conseguiu do Papa Pio XI, em 20 de maio de 1926, a transferência da antiga catedral de Uberaba das Mercês para o centro da cidade.
Devoto de Santa Teresinha, dedica sua 21ª Circular a Santa Teresinha, e presenteou cada paróquia com uma estátua da santa.
O bispo trabalhava a favor da instrução primária do povo, criando em todas as paróquias as chamadas “Escolas Populares do Sagrado Coração de Jesus”, como oportunidade de instrução religiosa nos Grupos e nos centros rurais de catecismo. 
Em Água Suja, Romaria, havia uma capelinha em ruínas mas muito frequentada, o que preocupava o bispo, que em 12 de maio de 1925, autorizou o início do novo Santuário de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, construindo-se a nova igreja.
Dom Lustosa pede e consegue da Santa Sé sua dispensa e foi transferido para Corumbá, saindo de Uberaba sem despedidas oficiais, com posse na nova diocese em 28 de dezembro do mesmo ano.
Foi eleito Arcebispo de Fortaleza-CE. Ali viveu uma vida de virtudes cristãs em grau heróico, como tais já reconhecidas ao início, em Roma, da  causa da beatificação do segundo bispo de Uberaba, caminho à declaração de santo, caminho difícil e demorado, entretanto não totalmente impossível no caso de dom Lustosa, falecido em 14 de agosto de 1974 em Carpina, PE.

3º Bispo de Uberaba
Dom Luiz Maria Santana
De 1929 a 1938
*Reativação do Correio Católico
Era superior do Convento Capuchinho Imaculada Conceição de São Paulo quando foi sagrado bispo de Uberaba, em 4-10-1929, e tomou posse a 3 de novembro de 1929.
Seu lema era “Omnia et in Omnibus Christus” = Cristo tudo para todos.
Quando chegou em Uberaba a casa das oficinas do Jornal Diocesano “Correio Católico”, na Praça D. Eduardo, estava em ruínas.  Igualmente a Igreja Catedral estava descuidada.
Em 5 de janeiro de 1930, dom Luiz inaugurou a nova impressora comprada pelo antecessor. 
Conseguiu a grande reforma da Catedral, que era um galpão, e aproveitou só a fachada das torres já concluídas com cimento em 1900 - a primeira utilização da arte de cimento em Uberaba. Tão grande reforma durou 5 anos terminada em 1935, quando foram construídas as duas naves laterais da Catedral.
SEMINÁRIO SÃO JOSÉ
Dom Luiz reinicia as atividades do Seminário São José, que estava fechado, após a saída de dom Lustosa. O Seminário São José foi fundado por dom Eduardo em 1º de Outubro de 1896. Para sustentar os 28 seminaristas em Uberaba e os 14 estudando Filosofia e Teologia em Belo Horizonte, pelos anos de 1935, dom Luiz reaviva a Associação de São José, com reuniões no terceiro domingo de cada mês. Era bom administrador. A Diocese tinha apólices do Governo.

(Foto: Divulgação)
4º Bispo e 1º Arcebispo de Uberaba
Dom Alexandre Gonçalves do Amaral
De 1939 a 1978
*“Serei enterrado em Uberaba”
Nasceu em 12 de junho de 1906 em Carmo da Mata, MG.
Sua vocação sacerdotal nasceria do exemplo de seu pai que era vicentino.
Dom Alexandre viveu seu bispado motivando a caridade vicentina em toda sua Diocese. Foi batizado em 29 de junho de 1906, ordenado padre em 22 de setembro de 1929.
Eleito bispo em 5 de agosto de 1939, sendo a sua ordenação episcopal em 29 de outubro de 1939.
Tomou posse em Uberaba em 8 de dezembro de 1939. 
Foi o primeiro arcebispo de Uberaba - de 1962 a lº de maio de 1978, quando renunciou juntamente com seu Administrador Apostólico, dom José Pedro Costa.
Viveu 96 anos de batismo, 23 antes do sacerdócio, 73 anos de padre, 39 anos de governo episcopal e 23 anos como bispo emérito, incluídos os seis dolorosos anos de doença. 
Sua vida bateu três recordes impossíveis de serem repetidos, porque, com dispensa canônica pela pouca idade, foi ordenado padre com apenas 23 anos, nomeado bispo com apenas 33 anos e morreu como o mais velho do mundo em antiguidade de ordenação episcopal, pois viveu 63 anos como bispo.
Foi professor de Filosofia e Teologia no Seminário do Coração Eucarístico.
PREVISÃO 
Em sua nomeação, o Núncio Apostólico pediu que ele ficasse na difícil Diocese de Uberaba pelo menos cinco anos sem pedir transferência, ao que dom Alexandre respondeu:
“Ficarei mais de cinco anos; serei enterrado em Uberaba”.
Por ser orador sacro, ter escrito livros, e por outros méritos, ocupou a cadeira 21 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.
Em Uberaba, dom Alexandre construiu o grande prédio do seminário São José, tornou diário o Jornal “Correio Católico”, onde, diariamente tinha uma mensagem sua no famoso “rodapé”. Trouxe para seu bispado três mosteiros contemplativos: das beneditinas, carmelitas e concepcionistas.
Trouxe as Carmelitas da Afonso Rato, os capuchinhos, os Padres Sacramentinos para cuidar da Adoração Perpétua, fundada em 1951, as Irmãs de São João Batista do Asilo São Vicente e as Irmãs para cuidar do Orfanato Santo Eduardo.
Participou dos estudos das três sessões do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965.
Fundou inúmeras Paróquias, ordenou 82 padres.
Na década de 1940 foi considerado o mais notável bispo brasileiro em coordenações de ações da Ação Católica e considerado o maior orador sacro no Brasil.
No Correio Católico publicou mais de 4.000 artigos. Por muitos anos, célebres foram os sermões das 7 palavras na sexta-feira santa na Catedral de Uberaba, MG, sempre intermeadas com frases em Latim, Italiano, Francês e termos teológicos citados em grego. Citava Santo Tomás de Aquino em latim.
CHAGAS NO PÉ
Era obediente à Igreja. Roma antigamente orientava tudo, até a indumentária episcopal cujos sapatos de fivelas vermelhas, as meias, a faixa à cintura, as casas dos botões da batina. A fivela do sapato episcopal prescrito ocasionou-lhe uma chaga no pé. Dom Alexandre pela obediência não a abandonou. Mancou durante anos. Aquela incomoda chaga só fechou 15 dias depois que a Santa Sé dispensou a exigência daquele sapato. A Fé Católica não muda, implicações históricas de manifestação da fé podem ser mudadas!

Bispo e Arcebispo Coadjutor de Uberaba
Dom José Pedro de Araújo Costa
De 1968 a 1978
*Permite o abraço da paz
 (Arcebispo Coadjutor e Administrador Apostólico “Sede plena”)
 Arcebispo Coadjutor e Administrador Apostólico junto com Dom Alexandre Gonçalves Amaral. D. José Pedro Costa, natural de Serro, MG, ordenado bispo a 15 de setembro de 1957, contemplado pelo Decreto do Vaticano datado de 18 de abril de 1970 que o designava, a 6 de maio de 1970, para Arcebispo Coadjutor e Administrador Apostólico da Arquidiocese de Uberaba, com direito a sucessão. Sua posse em Uberaba se deu a 10 de maio de 1970.
 Dom José Pedro Costa veio para administrar as tão reclamadas reformas disciplinares necessárias. Entretanto, durante toda a sua administração editou 5 célebres circulares, disciplinando inovações.
Na primeira circular de 23 de Junho de 1970 anunciou a dispensa do uso do manípulo nas Missas, declarando ainda obrigatória o uso da casula em todas as celebrações Na mesma referida circular, o senhor administrador conservava a antiga prescrição de que todo comungante, em toda Missa, deveria permanecer ainda de joelhos.
Pela orientação do senhor Administrador Apostólico foi permitido o abraço da paz na Missa mas o sacerdote deveria permanecer parado no altar, “sem sair de seu lugar e só abraçar os ajudantes da Missa, evitando a teatralização”.
Uma outra Circular de 23 de junho de 1970 permitiu aos padres o uso do “clergyman” fora dos atos litúrgicos.
PALÁCIO EPISCOPAL
Constrói-se em Uberaba o que seria nomeado por dom Alexandre com o nome de Palácio Episcopal Nossa Senhora da Piedade. O local se tornou residência de dom Alexandre, que em 19 de setembro de 1970, muda-se da rua São Sebastião para a rua Episcopal.
Surgiram os primeiros encontros de noivos e os primeiros cursos de Batismo.
Para saldar dívidas do Correio Católico, desejou vender para o Governo do Estado de Minas Gerais o antigo prédio do seminário da Praça D. Eduardo, em várias tentativas não levadas à frente.
Não tardou a serem nomeadas as primeiras religiosas para Ministros da Eucaristia. Logo em seguida, para a Catedral, foram nomeados os 4 primeiros ministros da Eucaristia. Em uma circular assinada por dom José Pedro Costa, de 5 de abril de 1972, contemplava-se a licença para vender as máquinas do Jornal Correio Católico.
A Nunciatura Apostólica aconselhou a renúncia a dom José Pedro Costa, que a condicionou à simultânea renúncia também de dom Alexandre.
E eis que a solução chegou a Uberaba no dia 19 de Julho de 1978 com a tríplice notícia: as renúncias de dom Alexandre e dom José Pedro e a nomeação do novo arcebispo de Uberaba, dom Benedicto de Ulhoa Vieira. Dom José Pedro Costa se recolhe à cidade do Serro, MG, junto a seus familiares, desempenhando nobres funções pastorais e de pregação. Mas sua saúde se debilita pela idade, vindo a falecer em 27 de julho de 1996.

Dom Benedito de Ulhoa
Quando bispo auxiliar de São Paulo
(Foto: Divulgação)
5º Bispo e 2º Arcebispo de Uberaba
Dom Benedicto de Ulhoa Vieira
De 1978 a 1996 
*Arcebispo emérito
Nasceu aos 9 de outubro de 1920 em Mococa, SP, recebendo o nome de Benedicto, com o significado de “abençoado por Deus”. Entretanto, acha mais moderna a grafia Benedito.
Em Mococa, iniciou o curso fundamental completado no Seminário de Pirapora, SP, estudou Filosofia e Teologia no Seminário Central do Ipiranga, São Paulo, SP, ordenando-se padre em 8 de dezembro de 1948 pelo Cardeal dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Costa. 
Em 1953 doutorou-se em Teologia, defendendo uma tese com belas considerações teológicas a respeito do modo como pelos infinitos méritos da Redenção de Jesus Cristo, a “perfeição” infinita de Cristo se transfere para também a possível nossa perfeição, conforme a Teologia de São João Crisóstomo.
Assumiu relevantes cargos em São Paulo: professor e capelão da PUC; reitor do Seminário Central do Ipiranga; vice-reitor da PUC e pároco dos universitários.
A restauração administrativa da Arquidiocese de São Paulo, à época, foi orientada por dom Benedito.
Era vigário-geral quando em 1972 foi ordenado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, onde permaneceu até 1978 quando foi nomeado Arcebispo de Uberaba com posse em 15 de setembro de 1978. Foi vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, de 1983 a 1987.
SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA ABADIA
Dom Benedito elevou a Igreja da Abadia a Santuário, por ser a principal igreja de devoção popular a Nossa  Senhora, em Uberaba. Em seu tempo, conforme determinação superior instituiu-se na Arquidiocese o Curso “Propedêutico” na Paróquia Santa Teresinha, como preparação imediata ao Curso de Filosofia dos seminaristas. Em 1980, em sua primeira visita de entrega de relatórios eclesiásticos “ad limina”, em Roma, foi recebido pelo Papa João Paulo II, ocasião em que o Papa recomendou a assídua visita de Nossa Senhora às famílias, para a preservação da fé católica.
Seu mandato em nossa Arquidiocese se destacou por duas características: firme liderança em necessárias realizações e zelo pastoral.
REABERTURA DO SEMINÁRIO SÃO JOSÉ
Deve-se à liderança pastoral de dom Benedito: a reabertura do Seminário São José na construção do novo prédio no Jardim Induberaba; a construção da residência episcopal atrás do Santuário da Abadia; 
a animação das periódicas reuniões do clero; a criação de 11 paróquias na Arquidiocese; a ordenação de 30 padres arquidiocesanos; a criação da Comissão dos Direitos Humanos; a reforma da catedral, dotando-a do jazigo destinado aos bispos, e que foi inaugurado com a transladação dos ossos de dom Eduardo, primeiro Bispo de  Uberaba, do Rio, onde ele morreu, para Uberaba.
Em sinal de tradicional respeito às igrejas, realizou a dedicação da Catedral, da “Adoração”, da matriz de Pedrinópolis e da Igreja Abacial das Monjas Beneditinas.
Cuidou do importante dever episcopal de visitas pastorais às paróquias que, em 18 anos foram 4 vezes visitadas.
Arcebispo Emérito de Uberaba, a partir de 28 de fevereiro de 1996, dom Benedito pediu ao seu sucessor que elevasse também a Igreja da Medalha Milagrosa a Santuário. 

Dom Aloísio Oppermann
(Foto: Divulgação)
6º Bispo e 3º Arcebispo de Uberaba
Dom Aloísio Roque Oppermann
 Arcebispo de Uberaba desde 1º de maio de 1996
*O poeta
Dom Aloisio Roque Oppermann é o sexto bispo diocesano e o terceiro arcebispo de Uberaba. Tomou posse em 1º de maio de 1996.
Natural de São Vendelino, RS, colonização alemã, holandesa e suíça iniciada em 1855.
O nome de São Vendelino é uma homenagem dos imigrantes católicos alemães a “Sankt Wendel”. 
Dom Roque nasceu em 19 de junho de 1936. Fez seus estudos de Filosofia no convento da Congregação do Sagrado Coração de Jesus em Brusque, SC.
Cursou Teologia em Taubaté, SP, onde ordenou-se padre a 29 de junho Anuário da Arquidiocese de Uberaba 20 de 1961.
Na Congregação SCJ especializou-se em Orientação Educacional, Biologia e Pastorais Eclesiais. Exerceu importantes cargos como Educador do Instituto dos Meninos de São Judas Tadeu do Orfanato São Judas em São Paulo, pároco em Curitiba, PR e em Varginha, MG.
Nomeado primeiro bispo de Ituiutaba, MG a 2 de fevereiro de 1983, onde recebeu a ordenação episcopal a 21 de abril de 1983. Por 5 períodos, coordenador de Liturgia da CNBB Leste II.
Seu lema é: “CRISTO É O SENHOR”.
É poeta, tendo escrito “Respingos de Vida”, livro só de trovas e “O Enviado”, poesias. 
“Colóquios e Encontros” é um livro de diálogos com o povo que pergunta e o pastor que responde.

Fonte das informações
Arquidiocese de Uberaba
Foto de Dom Eduardo
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2 comentários:

  1. Estimada Giselda,

    Sou seu "seguidor", rsr. Seu trabalho nos mostra muita coisa que não encontramos na "grande imprensa" uberabense. Mas uma coisa chama a atenção ultimamente, que é o grande espaço destinado às questões da igreja católica. Não tenho nada contra religião "A" ou "B", mas tem se a impressão que esse assunto é mais importante que os desmandos que acontecem em nossa cidade.
    Abraços de seu "seguidor", rsr.
    Heron

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  2. Prezado Heron, agradeço sua atenção - como leitor e pela preocupação com o teor da coluna. Grata pelo puxão de orelhas. Sou católica e dou sim, espaço especial para minha religião, em que pese jamais ignorar as outras religiões. Sou muito aberta nesse sentido. Vai continuar assim. Quanto aos desmandos, entendo que a coluna tem sim, criticado e divulgado o que considero errado, mas não tenho a menor intenção de transformar este espaço em guerra contra quem quer que seja. Não tenho compromisso político com ninguém - e nem contra ninguém. Enfim, me queira bem,continue me prestigiando. Um abraço.

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