5 de junho de 2012

CONTA-GOTAS...Notícias


Tanque de guerra usado na Revolução de 30 em Uberaba -
segundo registros do Arquivo Público Mineiro. Carimbo na
foto indica autoria de "A Lusitânia/Claudio de Souza Barros".

Confira os detalhes em Curiosidade Histórica desta edição.

CURIOSIDADE HISTÓRICA

Professoras foram convocadas para cuidar dos “bravos combatentes” da Revolução de 30 no Hospital da Cruz Vermelha em Uberaba

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NOVO INGREDIENTE
Metalúrgico e presidente licenciado da Força Sindical – segundo ocupante do cargo desde 1999 em substituição ao fundador Luiz Antonio de Medeiros; secretário-adjunto da Comissão Executiva Nacional do PDT; pré-candidato a prefeito de São Paulo, o deputado federal Paulo Pereira da Silva fez voo rasante em Uberaba no fim de semana para colocar mais um caldinho fervente na campanha eleitoral de 2012.
O CALDINHO ---- Paulinho da Força – como é conhecido, passou o sábado, 2 de junho, na cidade, em articulações com o seu amigo desde a década de 1980, o economista, presidente e pré-candidato a prefeito pelo PDT/Uberaba, João Franco. “Foi uma visita de surpresa, e por isso não tive tempo de organizar um encontro com a imprensa, por exemplo” – disse João Franco a Conta-Gotas.
ENTREVISTA ---- Mesmo sem o encontro com a imprensa, João Franco e aliados não deixaram passar em branco, e trataram de gravar, eles próprios, uma entrevista improvisada com o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que agora tenta ser prefeito da maior cidade do país.
DETALHES ---- De acordo com pesquisa do DataFolha, realizada em março, Paulinho aparece em 4º lugar, atrás de Netinho de Paula (PC do B) – 3º colocado; Celso Russomano (PRB) – 2º lugar, e José Serra (PSDB) – na liderança.

ENTREVISTA
Paulo Pereira da Silva
*Gravada pelo PDT/Uberaba

A PRESENÇA EM UBERABA
Paulinho da Força Sindical, pré-candidato em São Paulo,
faz voo rasante em Uberaba para apoiar a
pré-candidatura de João Franco  (Foto: Divulgação)
_ Na condição de membro efetivo da Comissão Executiva Nacional do PDT fiz questão de vir pessoalmente, transmitir ao meu amigo João Franco, o que foi deliberado pelas executivas nacional - sob a liderança do ex-ministro Carlos Lupi, e estadual de Minas Gerais - sob o comando do ex-deputado Mário Heringer.
A DELIBERAÇÃO
_ As duas executivas fazem questão da presença do PDT nas eleições de 2012 com um candidato a prefeito, e o nome apoiado nas duas esferas é o do João Franco. Ouvi isso pessoalmente dos companheiros Lupi e Heringer.
O APOIO PESSOAL
_ Da minha parte, como sindicalista e amigo, vou dar todo apoio à atual pré-candidatura e futura candidatura de João Franco.
A PRESIDÊNCIA
_Não existe possibilidade de mudança na presidência do PDT de Uberaba. João Franco é o presidente, tem apoio do presidente estadual e da direção estadual. E ainda, tem o apoio da direção nacional. Portanto, não existe força capaz de tirá-lo do cargo.
AS ALIANÇAS
_Não existem restrições sobre alianças. A única exigência é que os partidos que se aliarem ao PDT na eleição de Uberaba deem apoio à candidatura de João Franco a prefeito. Ele tem total liberdade para articular e acertar as alianças.
SOBRE SUA ATUAÇÃO
_Estou à frente de vários projetos, mas a prioridade neste momento é negociarmos o fim do fator previdenciário, que tira até 50% dos salários dos trabalhadores quando eles se aposentam. Para o segundo semestre estamos prevendo uma briga boa pela redução da jornada de trabalho dos trabalhadores.
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MANIFESTAÇÃO VIRTUAL
E nesta segunda-feira, 4 de junho, quem postou um recado no mural de João Franco no Facebook foi o presidente estadual do PDT/MG. “Queremos que essa candidatura dê o resultado de vitória e crescimento com desenvolvimento para Uberaba. Parabéns PDT por sua força e determinação! João Franco prefeito!” – manifestou Mário Heringer.

O OUTRO LADO
Por sua vez, em notícia enviada à imprensa, a assessoria do presidente da Câmara, Luiz Dutra, garantiu que, em recente encontro promovido em Belo Horizonte, entre as principais lideranças estaduais e nacionais do PDT, teria ficado acertado que a presidência da executiva de Uberaba permanece com João Franco, mas que Dutra vai assumir a vice-presidência. Franco e Dutra – como estão cansados de saber os leitores de Conta-Gotas, estão brigando pelo comando da legenda em Uberaba.
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Finalizei a manhã de trabalho com uma reunião de secretariado para alinhar as prioridades do mês de junho. Como disse a eles, o momento agora é de resolver as pendências e esvaziar as gavetas para retirar qualquer documento ou processo que possa estar parado.”
_ Prefeito Anderson Adauto, em seu Facebook, nesta segunda-feira, 4 de junho
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RECAPITULANDO
Grupo liderado pelo presidente do PSD/Uberaba, deputado federal Marcos Montes, que já foi G10/Grupo dos 10, agora é G9 com a saída do PDT, que passa a articular suas próprias alianças. Ainda estão no grupo, além do PSD, o PR presidido pelo deputado federal Aelton Freitas, DEM, PSDB, PSB, PTB, PP, PMN e PSDC. Por enquanto, o grupo ainda é considerado de oposição.
Continuam à mesa de negociações, os seguintes pré-candidatos a prefeito: Fahim Sawan (PSDB); Almir Silva (PR); Antônio dos Reis Lerin (PSB); Itamar Ribeiro, Marcelo Borges e Eclair Gonçalves (DEM); Antônio Carlos da Silva (PMN).

Paulo Affonso (à dir.) é cumprimentado por Ulysses Guimarães - o peemedebista mais
histórico de todos, que participou de todas as campanhas pela democratização
do país e liderou a Constituinte que aprovou a atual Constituição Federal
(Foto: Facebook de Paulo Affonso)
O CONVITE ---- PMDB de Uberaba distribui convites – inclusive pelo Facebook, para filiados da legenda, jornalistas e lideranças em geral:
*Estaremos recebendo o presidente do PMDB de Minas Gerais - deputado federal Antônio Andrade, o secretário-geral do PMDB Nacional – deputado federal Mauro Lopes, e o secretário-geral do PMDB de Minas Gerais – deputado estadual Antônio Júlio. Nesse evento estaremos debatendo o tema: Eleições Municipais 2012. Dia 7 de junho, quinta-feira, às 10h, no Spasso Buffet, na avenida Santos Dumont.
O DESABAFO
A reação mais contundente ao convite partiu do advogado, fundador e ex-presidente do PMDB/Uberaba, Paulo Affonso Silveira:
_Não participo e repudio reunião com o PMDB sob intervenção arbitrária. O MDB/PMDB de Uberaba sempre participou de todas as eleições, escolhendo seus candidatos através de convenções dos membros do diretório municipal regularmente eleito, como o atual. Agora, imitando a ditadura militar quer escolher candidato biônico.

RECAPITULANDO 2
O PMDB do prefeito Anderson Adauto, que está sendo administrado por uma comissão interventora, tem dois pré-candidatos: o deputado federal Paulo Piau, que as más línguas dizem que é o grande beneficiado com a intervenção, e o vereador Tony Carlos, que tem dito e repetido que não abre mão de ter seu nome na disputa.

RECAPITULANDO 3
Sem disputas internas, também são pré-candidatos a prefeito: Adelmo Carneiro Leão (PT); Edson Santana (PPS); Vicente Araújo Neto (PV); Wagner Júnior (PSC). E ainda: José Eustáquio ou Adriano Espíndola, respectivamente do PSOL e PSTU, da Frente de Esquerda dos Trabalhadores.
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Temos bons nomes para Uberaba e estamos analisando com calma para compor nestas eleições. Tenho certeza de que o próximo prefeito e seu vice vão sair deste grupo.”
Aelton Freitas, presidente do PR/Uberaba, falando durante o seminário regional realizado pelo partido em Uberaba, se referindo ao grupo que abraçou nestas eleições 2012 

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INCLUSÃO SOCIAL
Plenário da Câmara de Uberaba se movimenta nesta terça-feira, 5 de junho, a partir das 19h30, com audiência pública para discutir e levantar propostas de políticas públicas relacionadas aos deficientes da cidade. Idealizado pelo vereador e presidente do PTB, Carlos Godoy, o evento terá, entre outras presenças, do secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José Ferreira, e do presidente da União Latino-Americana para Cegos, Volmir Raimundi.
COM A PALAVRA...
O vereador observa que o espaço democrático será importante para que se conheçam as necessidades dos deficientes de Uberaba, para a apresentação de propostas e para saber a quantas anda a realidade no que diz respeito à inclusão e mobilidade. “Queremos sair da audiência com propostas, e com encaminhamentos que nos levem a torná-las realidade” – propõe Godoy.
FUNÇÃO SOCIAL ----- Em entrevista exclusiva publicada por Conta-Gotas na edição de 2 de junho, a coordenadora-geral da Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba – Adefu, e  técnica da Seleção Brasileira de Bocha, Janaína Pessato, pediu apoio do empresariado de Uberaba para os projetos da entidade, que incluem, entre outros, disputas estaduais, nacionais e mundiais em variadas modalidades do para-atletismo.
DETALHE ---- Apesar da falta de apoio, os para-atletas da Adefu conquistam medalhas atrás de medalhas, e agora estão de olho nos Jogos Paralímpicos de Londres/Inglaterra.
IMAGEM É TUDO --- Foto enviada pela assessoria do deputado Aelton Freitas/PR
confirma o sucesso de público no seminário eleitoral
ELEIÇÕES 2012 ---- O 2º Seminário Regional do PR/Uberaba reuniu mais de duas mil pessoas, entre elas, deputados, secretários de estado e municipais, prefeitos, pré-candidatos e lideranças de diversos partidos e setores organizados. Evento teve o apoio do diretório estadual do PR, através do Instituto Álvaro Valle.

MAIS ELEIÇÕES 2012 - E a Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Rio Grande – Amvale, realiza neste 5 de junho, terça-feira, o I Seminário Regional de Direito Eleitoral. Evento acontece das 14h às 18h, no auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Uberaba – CDL (rua Luiz Soares, 520/Vila Olímpica).


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CURIOSIDADE HISTÓRICA
A Batalha de Delta - Uberaba e a Revolução de 1930

Carro blindado de uso na Revolução de 30, em Uberaba, segundo registros do Arquivo Público
Mineiro. O carimbo da foto indica sua autoria como sendo de "A Lusitânia/Claudio de Souza Barros"
*Texto: Maria das Graças Salvador
*Publicação: Jornal de Uberaba
*Data da publicação: 27/09/2005
*Assunto: Lançamento do livro
“A Batalha de Delta - Uberaba e a Revolução de 1930
(com panorama da de 1932)”, de autoria do
juiz federal aposentado, Paulo Fernando Silveira

(...) Baseado em fatos reais, o livro fala sobre as batalhas que aconteceram na ponte de Delta, entre as forças legalistas (os paulistas) e os rebeldes (os mineiros), com o objetivo de tomada da ponte de Igarapava, como era conhecida pelos paulistas.
Segundo o autor “o livro conta a história da batalha que aconteceu na Ponte de Delta, em 1930, durante a revolução liderada por Getúlio Vargas para derrubar o governo de Washington Luiz, a fim de evitar a posse do presidente Júlio Prestes de Albuquerque. São Paulo veio com as tropas federais e a milícia estadual. Eles invadiram o território mineiro pela ponte e pelo rio”.
Para Paulo Silveira, esse foi um momento muito importante na história de Uberaba, mas, infelizmente, pouca gente sabe.
(...) Diz ele:
_ Nesse combate, houve muitas mortes e muitos feridos, e resolvi capturar esse momento para colocar para o povo com maior amplitude, porque nem todos sabem que houve a batalha. E não foi uma simples troca de tiros, houve invasão de Minas, os mineiros conseguiram repelir os paulistas, depois os paulistas tornaram a invadir, isso tudo num prazo de vinte dias.
(...) Para escrever “A Batalha de Delta” o autor realizou pesquisas no Arquivo Público de Uberaba, Casa de Cultura de Igarapava, entrevistou parentes de pessoas que participaram do movimento, entre outros, e contou com o apoio cultural da Câmara Municipal de Uberaba.
Silveira lembra que a batalha poderia mudar totalmente a vida de Uberaba.
Primeiro, porque a cidade chegou a ponto de ser bombardeada, tomada e transformada em capital de Minas, “por um motivo simples: Goiás estava com o governo federal e o Triângulo estava entre Goiás e São Paulo; tomando a cidade, estrategicamente, facilitaria para as tropas goianas se juntar com as paulistas”.


 BATALHÃO DA FORÇA PÚBLICA MINEIRA E GRUPO ESCOLAR MINAS GERAIS: CONCORDÂNCIAS E ACORDOS POLÍTICOS E EDUCACIONAIS NOS ANOS DE 1927 A 1944

Fachada do Grupo Brasil em 1920 - dez anos antes de se tornar sede da Cruz Vermelha, segundo
registros históricos. Do acervo do Arquivo Público de Uberaba, a foto é de autoria desconhecida
*Texto: Marilsa Aparecida Alberto Assis Souza
e Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro
*Assunto: Trabalho apresentado na UFU/Universidade Federal de Uberlândia

(...) Diversos fatores econômicos, políticos e sociais convergiram no movimento conhecido como a Revolução de 1930, que levou à presidência do Brasil o gaúcho Getúlio Vargas.
O movimento revolucionário iniciou-se com o rompimento da aliança feita entre os estados de Minas Gerais e São Paulo que não conseguiram entrar em acordo quanto ao nome do candidato que disputaria a sucessão presidencial.
Enquanto Minas Gerais indicava ao poder o nome de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, São Paulo indicava Júlio Prestes de Albuquerque. Minas Gerais, então, aliou-se aos estados da Paraíba e do Rio Grande do Sul formando a Aliança Liberal, submetendo o nome de Getúlio Vargas à disputa presidencial.
Nas eleições Getúlio Vargas foi derrotado pelo candidato do governo, Julio Prestes, que não tomou posse devido à eclosão da revolução. Com o golpe de Estado ocorrido em outubro de 1930, o então presidente Washington Luís foi deposto do cargo e Getúlio Vargas assumiu o poder. Encerrou-se então o período conhecido como República Velha e iniciou-se a Era Vargas.
A REVOLUÇÃO
A Revolução propriamente dita, tendo iniciado no dia 3 de outubro de 1930 no Rio Grande do Sul se alastrou rapidamente por todo o país, ocupando pontos estratégicos em diversos estados, sendo que:
No Triângulo Mineiro, por ser a zona apertada entre três Estados, dos quais dois – S. Paulo e Goiás, “legalista” – oporiam grande embaraço ao movimento saneador, a ação seria desdobrada, dividindo-se o Triângulo em dois setores. Um com vértice em Uberaba, destinado a conter o inimigo em frente às pontes de Delta e Jaguara, na fronteira com S. Paulo, e o outro, com vértice em Uberlândia, nas mesmas condições, para as pontes de “Engenheiro Bethout” e “Afonso Pena”, na fronteira goiana. (PONTES, 1978, p. 217).
O município de Uberaba, portanto, ocupava uma posição estratégica, motivo que levou o Governo Federal a tentar “assenhorar-se do Triângulo Mineiro para estabelecer por aqui a ligação entre S. Paulo e Goiás e fazer de Uberaba a capital de Minas, de onde intensificaria a ofensiva contra este Estado”. (PONTES, 1978, p. 240).
Nota-se, assim, que a Revolução de 1930 afetou diretamente o município de Uberaba, que teve que organizar seu contingente militar para a batalha travada na Ponte de Delta, em defesa da tomada do município pelas tropas legalistas vindas de São Paulo. (SILVEIRA, 2005).
MEDIDAS PARA GARANTIR A ORDEM
No dia 6 de outubro o engenheiro civil Guilherme de Oliveira Ferreira assumiu o governo municipal, indicado pelo Interventor de Minas, Olegário Maciel.
Pontes (1978) relata que, ao assumir o poder, Guilherme Ferreira tomou uma série de medidas para garantir a ordem e a segurança da cidade: intensificação do patrulhamento pela Guarda Civil; controle dos preços dos gêneros alimentícios e outras espécies para evitar o açambarcamento e a alta de preços; organização de uma Legião Republicana, da qual todos os funcionários municipais foram considerados legionários; aquisição de armas e munição para armar a cidade e municiar o voluntariado; organização de um batalhão denominado Batalhão Patriótico Alaor Prata, formado por voluntários.
Como o quartel da cidade, localizado na Rua Arthur Machado, não comportava o contingente de soldados do Batalhão Patriótico Alaor Prata, que logo de início contou com a adesão de aproximadamente 1.000 voluntários, este se instalou em um dos pavilhões do Liceu de Artes e Ofícios, conforme portaria 47, de 10 de outubro de 1930:
_O Doutor Guilherme de Oliveira Ferreira, Governador Civil da Cidade de Uberaba, resolve designar o sr. Fernando Magalhães, diretor da Escola Normal, para tomar as providencias que se fizerem necessarias para pôr em ordem de receber os batalhões patrióticos da Guarda Policial e aloja-los nos diversos pavilhões do Lyceu de Artes e Officios. (UBERABA. Relatório da Prefeitura de Uberaba: de 06/10 a 31/12 de 1930, p. 40).
HOSPITAL DA CRUZ VERMELHA
(Professoras são convocadas)
No dia 7 de outubro o prefeito resolveu criar o Hospital de Sangue da Cruz Vermelha para cuidar dos “bravos combatentes da revolução salvadora” (PONTES, 1978, p. 224).
Para tanto um convite foi estendido a todas as professoras municipais e estaduais da cidade para trabalharem neste Hospital.
No primeiro relatório do prefeito Guilherme Ferreira enviado ao Presidente do Estado, Sr. Olegário Maciel, encontra-se a portaria 34, de 8 de outubro de 1930 (p. 36), na qual a direção do Hospital foi confiada ao dr. Mozart Furtado Nunes e a direção do corpo de enfermeiras coube à professora Corina de Oliveira, diretora do Grupo Escolar Brasil, único grupo escolar em funcionamento na cidade até então.
Conforme Pontes (1978, p. 224), diversas “senhoras e senhorinhas”  compareceram no mesmo dia ao apelo da diretoria de enfermeiras para prestarem os seus serviços à Cruz Vermelha.
A resposta afirmativa destas professoras ao apelo de se organizar o Hospital de Sangue da Cruz Vermelha foi reconhecida pelo prefeito Guilherme Ferreira, que afirmou, também em seu primeiro relatório de prestação de contas (p. 09), que era “[...] motivo de jubilo poder declarar agora que todas as professoras estadoaes e municipaes attenderam immediatamente ao apello do governo revolucionario oferecendo com a maior dedicação os seus serviços para enfermeiras da Cruz Vermelha”.
A direção do Liceu de Artes e Ofícios, que já havia cedido um de seus pavilhões para aquartelar o Batalhão Patriótico Alaor Prata, cedeu todos os seus pavilhões restantes para a instalação do Hospital, mas “a Cruz Vermelha, por determinação do seu organizador, instalou-se no vasto prédio, ainda não inaugurado, do Grupo Escolar “Minas” Gerais, vizinho” (PONTES, 1978, p. 224).
Percebe-se, portanto, que o prédio destinado à escola primária já estava construído, mas ainda não estava em funcionamento. Ainda recorrendo a Pontes, sabe-se que:
_No dia 10, às 12 horas, no Grupo Escolar “Minas Gerais”, presentes os diretores dr. Mozart Furtado Nunes e Senhorinha Corina de Oliveira e um numeroso grupo de pessoas de todos os sexos e condições, foi pelo primeiro destes dada a seguinte organização à Cruz Vermelha de Uberaba. Depois de hasteado, à frente do edifício, as bandeiras Nacional e da Cruz Vermelha, ouviram-se entusiásticos vivas por todos os presentes. (PONTES, 1978, p. 225)
Embora o relato de Pontes não detalhe a quantidade de pessoas presentes a este evento que aclamaram entusiasticamente a instalação do Hospital nem a que grupos pertenciam, limitando-se a dizer que eram pessoas “de todos os sexos e condições”, o apoio da diretora do Grupo Escolar Brasil e de grande número de professoras permite inferir que boa parte do segmento educacional apoiava o movimento revolucionário, mesmo que para isso tivesse que ser adiada a inauguração do segundo grupo escolar da cidade.
O apoio dado ao movimento revolucionário pelo segmento da educação também pode ser percebido pelo envolvimento do diretor da Escola Normal na organização do batalhão patriótico e pelo envolvimento dos estudantes, tanto do Ginásio como da Escola Normal, por ocasião da organização da Guarda Civil.
DESVIO DE FUNÇÃO
_Como a revolução houvesse desviado a guarda civil da sua funcção de policiamento e de inspecção de vehiculos, pois que a maioria dos seus elementos foi utilizada no serviço de patrulhamento das fronteiras do municipio, fazia-se sentir a necessidade urgente de substitui-la na cidade, afim de evitar que maus elementos se servissem da opportunidade para a prática de roubos e outras arbitrariedades. Attendendo a isso, por portaria de 10 de outubro, resolvi crear a Policia Civil de Uberaba, enquanto perdurasse o estado de revolução, que seria formada de um corpo de estudantes e empregados do commercio, com as mesmas atribuições da Guarda Civil. (UBERABA. Relatório da Prefeitura de Uberaba: de 06/10 a 31/12 de 1930, p. 09).
Durante todo o período da revolução o corpo de enfermeiras prestou serviço aos combatentes e no dia 7 de novembro, por determinação de seu diretor, o Hospital de Sangue da Cruz Vermelha foi dissolvido.
Tanque de guerra na Revolução de 30, em Uberaba - de acordo com anotações do Arquivo
Público Mineiro. Carimbo na foto indica autoria de "A Lusitânia/Claudio de Souza Barros
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
*PONTES, Hildebrando. História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central. Uberaba: Academia de Letras do Triângulo Mineiro, 1978.
*SILVEIRA, Paulo Fernando. A Batalha de Delta. Uberaba e a Revolução de 1930 (Com panorama da de 1932). Uberaba: Editora do Autor, 2005.
MATERIAIS HISTÓRICOS
Acervo do Arquivo Público de Uberaba
UBERABA. Livro de Atas da Câmara Municipal de Uberaba de 1925 a 1930.
Código Municipal da Câmara Municipal de Uberaba: 1927 17
Relatório da Prefeitura de Uberaba: de 06/10 a 31/12 de 1930.
Relatório da Prefeitura de Uberaba: 1º semestre de 1931.
Relatório da Prefeitura de Uberaba: 2º semestre de 1931 e 1ª semestre de 1932.
Acervo da Escola Estadual Minas Gerais
ATA DE INSTALAÇÃO E RECORTES DIVERSOS. Recorte do jornal O Triângulo, de 01/07/1944.
Jornais – Arquivo Público de Uberaba
GAZETA DE UBERABA. Edições do ano de 1935: 4.744, 29/01; 4.799, 16/04; 4.820, 14/05.
Edições do ano de 1937: 4.951, 28/03; 4.950, 25/03; 5.007, 10/10; 5.028, 23/12; 5.030, 30/12.
LAVOURA E COMÉRCIO. Edições do ano de 1937: 7.423, 09/01; 7.442, 01/02; 7.482, 19/03.
O TRIÂNGULO. Edições do ano de 1941: 710, 08/08; 715, 14/08; 792, 13/11; 813, 07/12; 818, 12/12; 824, 19/02.  
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