17 de setembro de 2016

CONTA-GOTAS...NOTÍCIAS

ENCRENCA POUCA É BOBAGEM NA CAMPANHA ELEITORAL DE UBERABA
Tem de tudo um pouco: renúncias, impugnações, substituições e até disputa pelo apoio do PT, além de pesquisa indicando uma vitória no 1º turno – pra desespero de adversários


NEM O PINOCCHIO ESCAPOU. JUSTIÇA ELEITORAL MANDOU QUE UM DOS CANDIDATOS
TIRASSE O MENINO DO HORÁRIO ELEITORAL. "PROPAGANDA ELEITORAL TEM QUE
CONTRIBUIR COM O ELEITOR", REPETEM OS JUÍZES ELEITORAIS NAS
VÁRIAS SENTENÇAS PROFERIDAS DURANTE A CAMPANHA DE UBERABA
Que sufoco!
DISPUTA PROPORCIONAL TEM 15,5 CANDIDATOS POR VAGA 
CINCO DOS ATUAIS VEREADORES ESTÃO FORA DA CONCORRÊNCIA
Até o fechamento desta edição, Uberaba tinha 217 candidatos a vereadores liberados pela Justiça Eleitoral.
No total, 267 pessoas pediram registro para a disputa das 14 cadeiras, mas 12 renunciaram – entre elas, dois representantes da atual legislatura: Paulo César Soares e Elmar Humberto Goulart, ambos do PMN.
Um terceiro vereador, também do PMN – Afrânio Lara, nem chegou a pedir registro para disputar a reeleição, e João Gilberto Ripposati (PSD) e Samir Cecílio (PSDB) são candidatos a vice-prefeito.
Desta forma, os candidatos têm cinco concorrentes fortes a menos para disputarem os votos do eleitorado dia 2 de outubro.
Destaque
Na lista dos que pediram registro para candidatar-se a vereadores, também chama a atenção a renúncia de Maria Cândida de Oliveira Furtado, do PP. A zootecnista foi coordenadora do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher/Caism no governo de Anderson Adauto, e dia 16/09, sexta-feira, foi apresentada como a nova candidata a vice da prefeitável do PP, Angela Mairink.
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ANDERSON ADAUTO TEM ENFRENTADO
UMA SÉRIE DE PELEJAS
(FOTO: ENERSON CLEITON)
HAJA PELEJA!
Casal Angela/Anderson protagoniza saga na campanha 2016
E por falar em vice do PP, a legenda não para de enfrentar entreveros...
Já na expectativa de que uma candidatura a prefeito seria impugnada por causa de condenações no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o ex-prefeito, ex-deputado federal e ex-ministro de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Anderson Adauto optou por “voltar à Prefeitura de Uberaba” através da esposa, Angela Mairink, que foi sua secretária municipal na gestão de prefeito, e que preside o PP de Uberaba.
Ainda assim, a estratégia não deu certo. Esbarrou em impugnações propostas pelo próprio Ministério Público Eleitoral e por adversários. Ciente de que recursos provocariam uma disputa judicial com tendência a se confirmar a impugnação (o que aconteceu quando ele tentou disputar o cargo de deputado federal em 2014), Anderson renunciou.
Em tempo hábil, o PP apresentou a substituta: Oscarina Abadia Silva, 52 anos, casada e mãe de dois filhos, fundadora e presidente do Lar Lição de Vida que atende hoje a 62 idosos.
Poucas horas após o anúncio da substituição de Anderson Adauto pela companheira de partido, o Ministério Público Eleitoral impugnou o registro de Oscarina Abadia. Descobriu que ela tem uma condenação transitada em julgado e que ainda não venceram os oito anos de proibição para ocupar cargos públicos.
Desta vez sem convocação de imprensa para fotos e comemorações, a assessoria de comunicação de Angela Mairink encaminhou release anunciando a nova substituição. Oscarina estava sendo trocada por Maria Cândida – Candinha Furtado, zootecnista e ex-coordenadora do Caism no governo de Anderson Adauto (a candidata que renunciou à disputa por cadeira na Câmara)
Que nem alegria de pobre, poucas horas depois circulavam rumores de que Angela Mairink sofreria pedidos de impugnação, desta vez, de sua própria candidatura. Justificativa é de que ela indicou a nova candidata a vice quando o prazo para substituições havia expirado.

POUCAS HORAS APÓS OSCARINA ABADIA, ANGELA MAIRINK E ANDERSON ADAUTO
ERGUEREM OS BRAÇOS PARA AS FOTOS DA IMPRENSA,
A VICE ANUNCIADA ERA SUBSTITUÍDA POR CANDINHA FURTADO
(FOTOS: ENERSON CLEITON E DIVULGAÇÃO)
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QUALQUER SEMELHANÇA NÃO É MERA COINCIDÊNCIA
Para se ter uma ideia do novo entrevero enfrentado pelo PP, situação idêntica ocorrida em Montes Claros (norte de Minas) é destaque no site do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE/MG). De acordo com a notícia – postada em 16/09, o candidato a vice-prefeito de Montes Claros, Danilo Fernando Macedo Narciso (PMDB), apresentou sua renúncia na sexta-feira (dia 16). Em virtude da renúncia e do encerramento do prazo para substituição de candidatos (exceto por falecimento), a decisão do juiz foi no sentido de a coligação não poder mais concorrer às eleições majoritárias de 2016, inviabilizando a candidatura à reeleição do prefeito Ruy Adriano Borges Muniz (PSB).
TRE/MG lembra que, "nos termos da Lei nº 9.504/1997, o prazo para a substituição de candidatos encerrou-se no dia 12 de setembro (20 dias antes do pleito). Diante da impossibilidade de troca do candidato a vice-prefeito, a consequência é o indeferimento de toda a chapa concorrente".
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O PERÍODO DE CONVENÇÕES FOI CONCLUÍDO COM O QUADRO ACIMA

ESTA ERA A SITUAÇÃO DOS CANDIDATOS A PREFEITO
NO SITE DA JUSTIÇA ELEITORAL DIA 17/09/2016
ESTA ERA A SITUAÇÃO DOS CANDIDATOS A VICE-PREFEITO
NO SITE DA JUSTIÇA ELEITORAL DIA 17/09/2016
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HORÁRIO ELEITORAL AINDA EXIBE PROGRAMAS COM EX-PREFEITÁVEL E EX-CANDIDATA A VICE
OS ROCHAS: PÚBLIO E JOSIMAR
Já com a renúncia homologada pela Justiça Eleitoral, a ex-quase candidata a vice-prefeita Oscarina Abadia ainda ocupava espaço no horário eleitoral do PP de Angela Mairink/Anderson Adauto, pelo menos até dia 18/09 em inserções da legenda.
O ex-quase candidato a prefeito pelo PV, advogado Públio Rocha, também continuava dando seu recado na telinha. E mais: com direito a críticas contra o atual governo, e até a entrevista de uma eleitora “ameaçando se mudar de Uberaba, se Paulo Piau vencer as eleições”.
Conta a lenda que o deputado federal Jean Wyllys (Psol) ameaçou deixar o Brasil se Dilma Rousseff (PT) fosse afastada em definitivo.  Apesar do impeachment que tirou a ex-presidente do cargo, não se tem notícia de que o Wyllys esteja de malas prontas para se mudar para o exterior, deixando pra trás, inclusive o mandato de deputado federal.
Presidente do PV/Uberaba, Públio Rocha chocou geral quando começou a disputar o apoio do PT com o PP de Angela Mairink/Anderson Adauto.
Comando nacional defendendo o apoio ao ex-ministro de Lula, e comando municipal defendendo aliança com o PV, com direito a apresentar o vice ... eis que a encrenca foi encerrada quando o escolhido, que era o próprio presidente do PT/Uberaba, Josimar Rocha, decidiu renunciar. E fez isso bem às vésperas do final do prazo para que o PV o substituísse.
Não deu outra: o entusiasmado Públio Rocha jogou a toalha e renunciou à candidatura de prefeito.

E A SAGA CONTINUA...
Daí, não tem jeito de ignorar o PP... Após a luta inglória para conquistar o PT e de estar à porta da vitória, a dobradinha Angela Mairink/Anderson Adauto se vê às voltas com o risco da impugnação da chapa majoritária – ou seja, a impugnação da própria prefeitável.
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Fervura
PESQUISA PROVOCA MULTA PESADA PARA PREFEITÁVEL
A 15 dias das eleições que vão escolher prefeito, vice e vereadores para mandato/legislatura 2017/2020, a campanha de Uberaba é pura agitação por causa das pesquisas. Pra se ter uma ideia, nada menos que três institutos pediram registro nos últimos dias à Justiça Eleitoral.
Uma das pesquisas chegou a render multa de R$ 53 mil para o candidato do PTC, Wagner Júnior. De acordo com a denúncia – acatada pela Justiça Eleitoral, ele antecipou números que o colocavam na liderança. Instituto Instante Inteligência de Mercado e Opinião registrou a pesquisa informando que ela seria publicada a partir de 13/09, mas o prefeitável não conseguiu aguardar a data. O instituto diz que a pesquisa ficou em R$ 11 mil, que ouviu 694 eleitores, e que fez o levantamento por conta própria.

Liderança
REELEIÇÃO PODE ACONTECER AINDA NO 1º TURNO, PREVÊ LEVANTAMENTO DE INTENÇÕES DE VOTO
Duas pesquisas de institutos conhecidos são coincidentes nos principais resultados e indicam a vitória do prefeito Paulo Piau (PMDB) – que tem de candidato a vice o vereador João Gilberto Ripposati (PSD).
Com registro nº MG-06116/2016, o Vox Populi foi contratado pelo Jornal da Manhã por R$ 29,5 mil. Margem de erro é de 3,5% para mais ou para menos. O instituto ouviu 800 eleitores entre os dias 10 e 12 de setembro sobre a intenção de votos para prefeito, e a divulgação aconteceu dia 15/09.



Contratado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Uberaba/Sinduscon por R$ 20 mil, o instituto PHD realizou 600 entrevistas, e a divulgação aconteceu dia 15/09, no Jornal de Uberaba.
Margem de erro é de 4% para mais ou para menos. Seu registro é nº MG-02725/2016. No caso desta pesquisa, levando-se em conta os votos válidos, Paulo Piau estaria prestes a vencer no 1º turno.



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ADEFU/UBERABA COMEMORA RESULTADOS DOS SEUS GUERREIROS NAS PARALIMPÍADAS RIO 2016
Organização Não-Governamental (ONG) que tem as prateleiras repletas de medalhas de ouro, prata e bronze conquistadas em mundiais planeta afora, a Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) comemora a performance de seus guerreiros nas Paralimpíadas Rio 2016.
Sete representantes da entidade foram convocados: os atletas José Carlos Chagas de Oliveira; José Humberto Rodrigues – que transportou a tocha olímpica quando ela passou em Uberaba; Raíssa Rocha Machado e Poliana Fátima Sousa de Jesus, e os técnicos Janaína Pessato Jerônimo (técnica de bocha); Nivaldo Batista Vital (técnico de bocha); Higor Fiorine (técnico de atletismo convocado como representante do Comitê Paralímpico Brasileiro).

CARRO-CHEFE
PROGRAMA DE ESPORTE ADAPTADO TEM AJUDA DE VOLUNTÁRIOS E ESTAGIÁRIOS DE UNIVERSIDADES E JÁ RENDEU CENTENAS DE MEDALHAS
Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba atende atualmente a cerca de 120 pessoas com deficiência por dia – entre crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Os programas acontecem em períodos diferenciados: alguns na parte da manhã, outros em tempo integral (o dia todo), além dos projetos específicos do sistema de rodízio.
Localizada na rua Francisco Moreira de Araújo, 70, Uberaba I, a sede funciona das 7h às 17h, diariamente. Os telefones são (34) 3338-9799 e 98854-9812.
 “Damos atenção especial para as atividades educacionais” – destaca a presidente licenciada da Adefu, Ercileide Laurinda, ela própria cadeirante e campeã regional de bocha.
Em parceria com a Prefeitura de Uberaba, a Escola de Atendimento Especializado Superação desenvolve programas em educação infantil, educação de jovens e adultos e o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Através da parceria, a prefeitura cede os professores e a alimentação.
ESPORTES
Carro-chefe da Adefu, o programa de esporte adaptado funciona em tempo integral e é destinado a todos os associados – desde os que se enquadram no alto rendimento até os que buscam as atividades visando à qualidade de vida.
As modalidades trabalhadas na Adefu são a bocha paralímpica, basquete em cadeira de rodas e atletismo – neste último caso, voltado para o lançamento de dardo e disco e arremesso de peso, além de corrida e salto à distância.
Vale lembrar que várias destas modalidades já renderam medalhas de ouro, prata e bronze para atletas da Adefu em campeonatos municipais, estaduais, nacionais e mundiais.
O amplo programa esportivo acontece graças às parcerias que a Adefu possui com instituições de ensino: a Universidade de Uberaba (Uniube), a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e o Centro de Ensino Superior de Uberaba (Cesube).
É uma via de mão dupla.  
Adefu oferece estágios para alunos destas escolas, principalmente de Educação Física, Psicologia, Fisioterapia, entre outras áreas da saúde. A entidade também comemora uma conquista recente: a piscina para tratamento terapêutico.

... “ENTÃO, DESCOBRIMOS QUE NÃO SOMOS OS ÚNICOS E QUE A VIDA CONTINUA”, TESTEMUNHA A PRESIDENTE LICENCIADA DA ADEFU
Apesar de todas as dificuldades provocadas pela atual crise econômica brasileira, as parcerias – inclusive com a Prefeitura de Uberaba – ainda permitem que a Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba cumpra, mesmo que a duras penas, compromissos imprescindíveis para a continuidade de seus programas.
A entidade oferece três refeições diárias: café da manhã, almoço e lanche da tarde.
Em parceria com o Projeto Cantinho Amigos de Gabi são oferecidas aulas de musicalização e artesanato.
As oficinas de dança e teatro continuam acontecendo.
Por outro lado, o banco de empréstimo de cadeiras de rodas está vazio, precisando de doações. De acordo com a presidente licenciada Ercileide Laurinda, as cadeiras são emprestadas e raramente retornam.
A Adefu tem uma missão ampla: oferecer projetos específicos que ajudem na recuperação física e emocional; criar oportunidades para a reabilitação e a convivência social; implementar programas de inclusão; ajudar no acesso ao emprego” – ressalta ela.
Muitos de nós chegamos à Adefu quando achamos que perdemos tudo, inclusive a vontade de viver, nos sentindo sozinhos; então, descobrimos que não somos os únicos e que a vida continua - de uma forma diferente, mas que vale a pena viver” – diz Ercileide Laurinda.
Ela lembra que nem todos conseguem ser atletas, mas se descobrem ótimos atores, bailarinos, artesãos.
Basta usar o coração e alma” – acrescenta ela.

PARALIMPÍADAS2016 - José Humberto, da Adefu, é brasileiro melhor colocado no lançamento de dardos F54/F53
Atleta da Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu), José Humberto Rodrigues fez bonito na final do lançamento de dardo masculino – classe F54/F53 na ParalimpíadaRio2016, realizada neste dia 09/09, sexta-feira. Ele ficou em quarto lugar.
Foi o brasileiro melhor colocado na modalidade, alcançando 23m41 – apenas 15 cm a menos do que o terceiro colocado (bronze), e 3m92 a mais do que o quinto lugar (Jamaica). Grécia, México e Belarus levaram respectivamente, ouro, prata e bronze.
Confira abaixo, um pouco da história desse guerreiro - segundo reportagem do GloboEsporte.
(Foto: José Humberto transportando a tocha olímpica quando ela passou por Uberaba/MG, dia 8 de maio de 2016)

DO FUTEBOL AO DARDO: JOSÉ HUMBERTO É RECORDE NA AMÉRICA. ELE FOI PRATA NO MUNDIAL DO CATAR E 4º EM TORONTO
Texto: Globoesporte.com
No campo de futebol do bairro Gameleira ele jogava futebol - era ponta esquerda - na categoria master. Em 2007, no entanto, um acidente de trabalho tirou José Humberto do futebol. O diagnóstico de que ficaria paraplégico, no entanto, não o fez desistir do esporte. O palco agora é outro. A bola deu lugar ao dardo. Do amador, ao profissional. Dos gols aos recordes, medalhas, e vaga na Rio 2016. Prêmios não só pela distância em que arremessa o dardo. Para a família, premiado por ter coragem de seguir em frente.
Desde os oito anos de idade, a paixão dele estava nos gramados, que também trouxe muitos troféus. Ele disputava no futebol amador da cidade, como lateral-esquerdo, e ganhou muitos títulos em competições regionais. O acidente ocorreu em 2007 quando tinha 37 anos, era soldador e uma gaiola se desprendeu do guindaste e o acertou, lesionando a medula.
– Eu fui acordar depois de 16 dias de coma no hospital e descobri que estava paraplégico por um enfermeiro. Eu estava meio grogue por causa das medicações e ouvi ele comentando com outra pessoa que eu nunca mais iria andar. Foi um choque muito grande – afirmou.
Só que como todo desportista por predestinação, José Humberto não se deixou abater por completo e ingressou no paradesporto. Não demorou muito tempo. Um ano depois, na Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu), chegou a testar o basquete de cadeira de rodas. Porém, foi no atletismo que se encontrou. Começou com o arremesso de peso, depois no lançamento de disco no qual ele defende o recorde brasileiro desde 2014 e passou a praticar o lançamento de dardo, que rendeu a vaga na Rio 2016.
Aos 45 anos, José Humberto é recorde das Américas, com a marca de 28m33, quebrado após integrar a seleção paralímpica brasileira, no ano passado. Com a marca veio também a medalha de prata no Mundial Paralímpico do Catar.
Em seguida, José Humberto disputou o o Parapan-Americano de Toronto, no Canadá, ficando em quarto lugar. Desde então, José passou a treinar e acompanhar o calendário da seleção até chegar ao ápice da carreira ao disputar a maior competição paralímpica do mundo. Ter assegurado índice para a Paralimpíada em casa, para ele, é sinônimo de dois pilares: dedicação e gratidão.
– O que passa na minha cabeça é agradecimento. Agradecer às pessoas, à minha família e meus amigos que sempre estiveram ao meu lado até eu chegar aqui. Minha vida é só agradecer a Deus pelas conquistas, pela vida, porque uma hora a gente cansa e vai parar, então apenas as lembranças boas vão ficar – comentou.

POLIANA SOUSA, DA ADEFU, FAZ HISTÓRIA NA PARALIMPÍADA 2016
Poliana Sousa é mais uma atleta da Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) a fazer história na ParalimpíadaRio2016. Foi a brasileira melhor colocada na final do lançamento de dardo feminino F53/F54. Poliana (F54) foi a quinta colocada na disputa que aconteceu dia 13/09, terça-feira. As medalhas foram para Colômbia (ouro), África do Sul (prata) e Omã (bronze). O quarto lugar ficou com a Nigéria.

Do basquete sentado ao dardo 
Texto: Globoesporte.com 
Poliana Sousa tinha um ano de atletismo quando, os bons desempenhos, renderam uma convocação para Pequim, em 2008. O que seria a primeira Paralimpíada, no entanto, virou frustração. A mudança de classificação fez com que Poliana não tivesse condições de disputar a competição. Chegou a desistir do esporte de alto rendimento, mas conheceu Rodrigo Carlos. Treinador, namorado, incentivador.
Poliana prefere chamar de “anjo” que a fez voltar ao esporte de alto rendimento e, nove anos depois e no Brasil, a colocar na briga por uma medalha no lançamento de dardo na Rio 2016. Quando tinha 4 anos, Poliana saiu com a avó e o primo para ir a uma mercearia no bairro Santa Maria, onde ainda mora. No caminho, eles foram atropelados por um motorista embriagado. Poliana lesionou a coluna e nunca mais andou.
A entrada na Associação do Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) - obrigada pela mãe, segundo a para-atleta - foi aos 11 anos. Até os 18, ela praticou todas as modalidades esportivas da associação: volêi, natação, tênis de mesa, basquete sentado. Foi aos 18 anos que, nas palavras dela, se encontrou no atletismo. Antes do lançamento de dardo, Poliana Sousa praticou o basquete sentado.
A afirmação dela é comprovada pelos bons resultados, que um ano depois, fez com que Poliana fosse convocada para a Paralimpíada de Pequim, em 2008. Uma mudança na classificação adiou os sonhos da para-atleta.
– Eu saí daqui do Brasil na classe F53. Quando fui ver minha classificação, me alocaram na categoria F54. E para competir no nível F54 eu ainda não tinha o índice. Então, não pude competir. Era minha convocação de atleta de alto nível, estava super empolgada. Quando recebei a notícia de que não podia mais competir fiquei abalada. Achei que não fosse capaz de poder treinar novamente em uma categoria mais alta – lembrou.
Foi quando apareceu Rodrigo Silva, treinador na Adefu, o amor entre eles, e o foco dela no lançamento de dardo. Estava aí a fórmula perfeita para o retorno dela ao esporte de alto rendimento e dos bons resultados.
– Eu sempre falo que o Rodrigo foi um anjo que apareceu para mim na hora certa. No momento em que eu precisava – disse a para-atleta. Quer a prova? Poliana é atual recordista brasileira no lançamento de dardo, título conquistado no Grand Prix Internacional do ano passado, com 14m 42. A marca está entre as cinco melhores mundo. Nos treinos, ela já conseguiu resultados ainda melhores: 15m60.
– Coloquei na minha cabeça que tenho que derrubar um único adversário: eu mesma. Chegando lá, dando o meu melhor, me superando, estarei muito feliz – concluiu.


Raíssa, da Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba: dos treinos no Cemea ao sucesso na ParalimpíadaRio
A caçulinha dos quatro atletas convocados da Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 mostrou a que veio. Raíssa Rocha Machado, 20 anos de idade, da classe F56 do atletismo (lançamento de dardo feminino), ficou em sexto lugar na final, com a marca de 18m57. Foi a brasileira melhor colocada nesta modalidade. Na primeira etapa do aberto de para-atletismo, no Rio de Janeiro, evento que antecedeu a ParalimpíadaRio2016, Raíssa foi ouro no lançamento de dardos e bateu o próprio recorde nacional: que era de 19m11 e passou a ser de 19m22, na classe F56.

Raíssa --- A menina que detestava esporte começou na ginástica por incentivo da mãe, entrou no atletismo e soma pódios em mundiais, Parapan e recorde nacional no dardo.
Texto: GloboEsporte.com 
Prata no Mundial Paralímpico de Atletismo, no Catar, bronze no Parapan de Toronto, no Canadá e um das três melhores do mundo na classe F56 do lançamento de dardo. O currículo impressiona, sobretudo, quando se trata de uma para-atleta de 20 anos.
Ainda mais de alguém que detestava qualquer tipo de esporte e sempre fugia das aulas de Educação Física. A sugestão da professora e o incentivo da mãe para praticar ginástica – só para sair um pouco de casa e interagir com outros adolescentes –, porém, levou Raíssa Rocha Machado muito mais longe. Da ginástica para o atletismo.
Do encantamento com lançamento de dardo até a busca por bater os próprios limites.
Raíssa nasceu na Bahia, com má formação congênita. Com menos de um ano, ela e a mãe, Ildonete Rocha, se mudaram para Uberaba em busca de oportunidades.
O esporte surgiu para Raíssa com a ginástica no Centro Municipal de Educação Avançada (Cemea), onde também fazia balé. Foi na mesma época que a para-atleta começou a praticar o atletismo na Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu).
Na época, se fosse elencar qual era a atividade preferida de Raíssa, adivinha o que ela responderia? Não dá para saber.
A única certeza é que o atletismo era o que ela menos gostava.
Nem parece a Raíssa de hoje, que brilha os olhos quando fala do esporte.
– É muito lindo. Tanto o dardo, quanto o disco são provas que, se a pessoa ver, não fica com sono. Ela fica torcendo para ir mais longe. Nós que mandamos no dardo, não ele que manda na gente – disse.
Raíssa se adaptou à modalidade, à Adefu e a coisa começou a ficar séria.
O caminho começou a ser percorrido mais por vontade de amigos e professores que tentavam convencê-la com a frase: ela nasceu para ser atleta.
A para-atleta é a atual recordista do Brasil no lançamento de dardo com a marca de 19m22, conquistada no Campeonato Brasileiro.
Maior incentivadora da filha, Ildonete prefere dizer que ela poder viajar e competir é uma grande vitória.
– Eu sempre falo para ela quando vai participar das competições: Se conseguir trazer medalha, bem. Se não, o importante é você ter ido – concluiu.


“Quem diria, né, mãe? Como nós éramos e como nós estamos!”... diz Zé Carlos Chagas, da Adefu, comemorando a vida 
Único brasileiro na disputa individual da classe BC1 de bocha na ParalimpíadaRio2016, José Carlos Chagas chegou às quartas de final – disputada dia 15/09, quinta-feira. Empurrado pelo público caloroso, que incentivou o tempo todo e em bom número na Arena Carioca 2, ele fez bonito e chegou a vencer nos finais dos "ends", mas acabou não resistindo à estratégia de bolas longas do português Antonio Marques. Com a virada, o resultado final foi de 4 a 3 para o português. Com a fala comprometida devido à paralisia cerebral, José Carlos, que treina na Associação de Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) desde 2002, dá a receita do sucesso: “Fui adquirindo conhecimento e aprendi a ser humilde, pontual e sincero. Assim, fui realizando meus sonhos, inclusive chegando ao quarto lugar em Londres 2012”. (Foto: Zé Carlos Chagas analisa posicionamento das bolas na disputa da classe BC1/ParalimpíadaRio2016 - Imagem de Bruno Bastos/ANDE)

OURO NO PARAPAN DE TORONTO E 4º COLOCADO NA PARALIMPÍADA DE LONDRES, JOSÉ CARLOS REÚNE DEDICAÇÃO, TREINO E DESTINO 
Texto: GloboEsporte.com 
Nada faz com que José Carlos Chagas deixe de treinar bocha na Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu). Afinal, qualquer obstáculo parece pequeno perto do caminho trilhado por ele rumo a cada vez mais medalhas. Além do problema no nascimento que deixou sequelas severas, vieram as dificuldades financeiras no Norte de Minas Gerais na infância e na adolescência, o que fez a primeira cadeira de rodas chegar e ser companheira só depois dos 18 anos.
O futuro não se mostrava amigo até a mudança para Uberaba. Ele admite, e a mãe dele também: não esperava chegar tão longe com a bocha. Às vezes, parece surpreso, e diz à mãe: “quem diria, hein? Como éramos e onde estamos”. As incontáveis medalhas espalhadas na cama, no entanto, o trazem à realidade, e diz: “Quero ser o melhor”.
José Carlos foi o primeiro filho de Josefina Chagas de Oliveira. No dia do nascimento, ela passou mal por várias horas e quando recebeu atendimento médico recebeu a notícia: a criança tinha passado da hora de nascer, o que provocou falta de oxigenação e todas as sequelas severas com que José Carlos convive. Josefina afirmou que o filho foi recebido com muito amor e nunca mais quis sair de perto dele. Época em que a família não tinha condições de comprar uma cadeira de rodas para ele. Período que Josefina reconhece ter sido de muita luta.
– Nestes anos foi muito sofrimento, muita luta. Mas com fé. Pelo meu filho, não por mim. Às vezes as pessoas falam: você deve ter um orgulho muito grande de ter seu filho deficiente campeão, ser atleta. Falo que sou muito feliz, mas por ele. Não me sinto uma mãe de um famoso. Mas uma pessoa que foi subindo degrau por degrau – afirmou.
O primeiro sinal de mudança foi quando Josefina foi morar em Delta, na divisa de Minas Gerais e São Paulo. A fuligem da queima da cana de açúcar em uma usina, que fazia Josefina passar mal, fez a família se mudar para Uberaba e José Carlos descobrisse a Adefu. No início, a bocha surgiu, mas a mãe do para-atleta tratava apenas como fisioterapia. Não imaginava que era o começo da relação de José Carlos com o esporte e com os títulos.
– Quando começou a praticar não imaginava que ele fosse chegar tão longe. Para mim ele começou como se fosse uma fisioterapia. Mas chegar onde ele chegou, todo mundo ficou surpreso. Até ele mesmo. De vez em quando ele fala: Quem diria, né, mãe? Como nós éramos e como nós estamos. Com carro, viajando para o mundo inteiro – lembrou Josefina.
José Carlos Chagas foi bronze no Parapan de Guadalajara em 2011. No Parapan de Toronto veio o ouro com a equipe da classe BC1/BC2, composta por ele, Maciel de Souza e Lucas Ferreira Araújo. O segundo foi no dia da centésima medalha do Brasil no Pan em um desempenho perfeito da bocha brasileira, na categoria BC1.
Em Paralimpíadas, o atleta vem de um quarto lugar em Londres e chegou ao Rio de Janeiro como um dos favoritos ao ouro. O treinador Nivaldo Vital explicou que não tem segredo nem mágica. José Carlos chega cedo e treina. Muito.
– O segredo do José Carlos é treino. Ele está na bocha desde 2002, participou de várias competições internacionais, e treina constantemente. Não tem mágica, é treino. Foi ótimo em Londres, chegou em quarto lugar, surpreendeu muito. De lá para cá, aumentou a carga de treinamento. É um atleta exemplar. O coloco como exemplo para os outros meninos. É dedicado, chega cedo, pega o material dele e treina. É um prazer para gente ter um atleta de ponta como o José Carlos na equipe – afirmou.
A técnica do para-atleta e da seleção brasileira, Janaína Pessato, explica que os treinos são importantes para que sejam criadas estratégias. É o diferencial na hora da competição.
– O atleta tem que ter um repertório de estratégias muito grande. Em cada momento do jogo ele tem que usar uma diferente. Como a bocha é um jogo de precisão, a gente fala que é um controle de força e direção, tem que se treinar muito. Existem momentos que o atleta vai precisar fazer uma aproximação direta, uma tabela, uma retirada de pontos do adversário, e para isso eles têm que estar preparados – explicou.
A treinadora, que é praticamente uma segunda mãe de José Carlos Chagas, diz que o atleta precisa estar preparado, motivado, acreditar nos treinamentos.
–Lógico que estamos felizes de fazer parte de um momento deste, uma paralimpíada que o mundo inteiro está voltado para as pessoas com deficiência.
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