19 de março de 2017

CONTA-GOTAS...NOTÍCIAS

Fatos e fotos
CIDADE DAS 7 COLINAS 
TENTA RESOLVER O IRRESOLÚVEL
Pelo menos é o que pensam e defendem vários 
moradores da mineira Uberaba sobre as polêmicas 
tentativas de se resolver o drama das enchentes

IMAGEM É TUDO  ---- A principal "vítima" das enchentes, avenida Leopoldino de Oliveira,
fotografada por Neto Talmeli dia 13 de março de 2017;
Flagrante da mesma avenida, no dia 18 de março de 2017, e cuja origem se perdeu ao longo
das centenas de postagens nas redes sociais;
Flagrante feito pela arquiteta Maria Paula Meneghello, dia 19 de março de 2017, quando ela
circulava pela avenida Santos Dumont, a segunda maior "vítima" das enchentes em Uberaba 
Em busca de soluções para as enchentes que atormentam o centro de Uberaba, houve quem optasse por cobrir o córrego que atravessa o centro da cidade e há quem prefira rasgar as principais avenidas com obras radicais.
Mas, vale lembrar: em seu estudo topográfico publicado no ano de 1880, Antonio Borges Sampaio identificou a existência de seis colinas, onde atualmente se encontram os seguintes bairros: Boa Vista, Estados Unidos, Abadia (Colina da Misericórdia), Leblon (Colina do Barro Preto), São Benedito (Colina da Matriz) e Mercês (Colina Cuiabá).
Nessa época, o bairro Boa Vista compreendia também o bairro do Fabrício, que ainda não tinha esse nome. Hoje, portanto, são sete colinas.
O termo colina utilizado por Borges Sampaio referia-se aos pontos mais altos da cidade. Do ponto de vista geomorfológico, o relevo de Uberaba se caracteriza, na realidade, como uma planície de deposição sedimentar (depressão), com material oriundo das altas cadeias que havia na região de Araxá (Serra da Canastra).
Devido ao fato de esse material sedimentar ser suscetível a erosões, o deslocamento das águas dos córregos moldou a topografia de Uberaba, fazendo surgir alguns vales, onde hoje se encontram as principais avenidas da cidade, como Leopoldino de Oliveira, Santos Dumont, Guilherme Ferreira e Fidélis Reis.
OBS: O português Borges Sampaio chegou em Uberaba por volta de 1840 e se tornou uma das figuras mais importantes da cidade. Foi agente do correio, farmacêutico, advogado, promotor, subdelegado de polícia, jornalista, escritor, historiador e diretor de Instrução do Distrito de Uberaba. Foi vereador, cargo que ocupou durante 30 anos, entre 1853 a 1883. E claro: para se tornar coronel foi só uma questão de tempo.
FONTES: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e Câmara de Vereadores

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ANTES E DURANTE ---- Córrego correndo aberto na avenida Leopoldino de Oliveira (Postal Colombo, 1940, restaurado por Paulo Lemos, acervo do Arquivo Público de Uberaba); Início das obras de cobertura do mesmo córrego (Foto de José Kalkbrenner, 1961, restaurada por Paulo Lemos, acervo do Arquivo Público de Uberaba)
Córrego das Lajes
O CÓRREGO QUE INSISTE EM EMERGIR
“Vida e morte de um córrego” é o título de dissertação de mestrado. Hoje – desabafa o mestre em Geografia, o córrego, sepultado, se faz visível e presente, através das inundações causadas pela urbanização, que foi realizada sem preocupação com a natureza

Narram todos os textos sobre a história da cidade, que Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira – o major Eustáquio, estabeleceu-se, em 1809, próximo ao Córrego das Lajes, e que, ao redor de sua residência, surgiu Uberaba. Dali, ele foi o chefe político do local até sua morte em 1832, quando seu irmão Domingos da Silva e Oliveira – o capitão Domingos, o substituiu na tarefa de mandar e desmandar.
Em sua dissertação de mestrado – concluído com honra, o geógrafo, professor, escritor, ambientalista – e “sonhador acima de tudo”, como ele se identifica, Renato Muniz Barreto, avaliou:
_ O córrego das Lajes foi um importante elemento de arranjo do crescimento urbano. A cidade desenvolveu-se às suas margens e o “engoliu” ou, se quisermos entender desta forma: “matou o curso d’água”, transformando-o num mero receptor de esgotos.
Em comentário a esse blog, o mestre justificou sua opção:
_Estudar o processo de urbanização e a importância da bacia do córrego das Lajes faz parte do entendimento da dinâmica urbana de Uberaba. Procurei conhecer essa dinâmica ambiental, o que aconteceu com o córrego e com a própria cidade, e fiz uma análise das soluções propostas pelo poder público, e concluí que, quase todas são insuficientes e ineficazes para solucionar o problema das enchentes e resolver a própria situação ambiental da cidade.
Segundo Renato, as águas do Córrego das Lajes, ao longo da história, foram usadas para matar sede do gado, como despejo de esgotos, e, finalmente, aprisionadas em um canal sob uma avenida larga, ladeada de prédios altos de ambos lados. Se refere à avenida Leopoldino de Oliveira.
Segundo ele, a história de Uberaba é a história de uma cidade que engoliu suas águas.
Hoje – desabafa o mestre em Geografia, o córrego, sepultado, se faz visível e presente, através das inundações causadas pela urbanização, que foi realizada sem preocupação com a natureza.
A dissertação, cujo título foi "Vida e morte de um córrego: a história da expansão urbana de Uberaba, MG e do córrego das Lajes”, revelou 100 anos de história de Uberaba e de como a cidade "engoliu" o seu principal curso d'água, o Córrego das Lajes.
O trabalho tem cerca de 300 páginas e foi “doado” pelo autor ao Arquivo Público de Uberaba.
Ressalte-se que a dissertação de Renato Muniz não é a única sobre o Córrego das Lajes, mas é citada em vários outros trabalhados.

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FUTURISMO - Projeto de Fúlvia Mendes prevê, inclusive, o monotrilho de transporte coletivo
Sonho ou realidade?
A RENATURALIZAÇÃO DO CÓRREGO DAS LAJES
O córrego, que ainda hoje provoca dor de cabeça aos uberabenses, rendeu nota máxima em projeto de graduação

Tema de variados projetos em conclusões de cursos de graduação e de pós-graduação, o Córrego das Lajes ganhou, inclusive, uma versão moderna e sonhadora em Trabalho Final de Graduação –TFG, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Uberaba – Uniube.
Orientada pelo professor Adaílson Pinheiro Mesquita, a então formanda Fúlvia Maria Mendes apresentou o TFG na disciplina Teoria do Planejamento de Pesquisa II e não podia ter outro resultado: levou a nota máxima – 100 pontos.
E de quebra, levou muitos elogios da Banca Examinadora, formada pelo orientador, professor Henrique Vitorino Souza Alves, e pela arquiteta convidada, Juliana Almeida Melo.
Na avaliação deles, são os projetos radicais como este, que solucionam os problemas urbanos atuais, tipo as enchentes (devido ao córrego tamponado), os congestionamentos (provocados pela falta de incentivo ao transporte público e individual) e a péssima qualidade ambiental (devido à falta de áreas verdes).
Também chamou a atenção da Banca Examinadora – com muita justiça, a amplitude do PFG da formanda em Arquitetura: ela reflete e aponta soluções em todos os aspectos: a começar pelo paisagismo, passando pela coleta seletiva de lixo, drenagem, saneamento, iluminação, mobiliários urbanos, paginação, transporte alternativo, e muito mais.
Lembrando que a ocupação do arraial de Uberaba ocorreu às margens do Córrego das Lajes  - onde surgiram as primeiras construções e residências, a autora do TFG revela que sua proposta “busca integrar a questão ambiental com a mobilidade sustentável.”
Dessa forma – segundo ela, “a intenção é renaturalizar o córrego, que se encontra atualmente tamponado, em sua maior parte na avenida Leopoldino de Oliveira.”
E ainda: propor um parque linear em toda a extensão da via, deixando apenas uma faixa para tráfego de veículos.

A NATURALIZAÇÃO e sua definição, 
de acordo com a autora
Este trabalho aborda uma proposta de renaturalização do Córrego das Lajes... A definição foi feita por meio do argumento que envolve um processo de trazer de volta a condição original do córrego, que, atualmente, em grande parte, encontra-se canalizado e tamponado na avenida Leopoldino de Oliveira. O projeto busca o tratamento da área degradada, despoluição do córrego e requalificação das áreas urbanas lindeiras.

PASSADO X PRESENTE
(No Brasil)
No Brasil, grande parte das cidades tem rios e córregos tamponados, pois acreditavam que ajudariam a minimizar as enchentes e evitar surtos epidêmicos, quando eram poluídos. Na atualidade, percebe-se que o tamponamento de rios e córregos prejudica a vazão de águas pluviais, aumentando os níveis de enchentes e descaracterizando a paisagem urbana, como ocorre em Uberaba.”

RIO TAMISA - POLUÍDO E DESPOLUÍDO
PASSADO X PRESENTE
(Na Europa)
O intenso processo de urbanização ocorrido primeiro na Europa e posteriormente nos países da América levou ao comprometimento de grande parte dos rios urbanos, pois se tornaram rios mortos, devido à quantidade de resíduos industriais e domésticos neles despejados. A Europa inteira viveu este drama até a metade do século XX, quando várias medidas foram tomadas para recuperação desses rios.
Entre os exemplos mais importantes podemos ressaltar o rio Tamisa, localizado em Londres, Inglaterra. Sua poluição afetava a cidade de grande porte, e a recuperação foi extremamente importante para a população.

SEUL - ANTES, DURANTE E APÓS A RENATURALIZAÇÃO DO RIO CHEONGGYECHEIN
PASSADO X PRESENTE
(Na Coréia do Sul)
A renaturalização do rio Cheonggyechein, em Seul, na Coréia do Sul, é o exemplo que mais se aproxima à proposta do futuro projeto. O rio que corta a cidade de Seul era canalizado e poluído, principalmente por esgoto doméstico.
Com o desenvolvimento da cidade, que atualmente é a sétima maior do mundo em número de habitantes, contendo 10,3 milhões de pessoas, foi construído um viaduto para suportar o alto índice de veículos.
A área estava tornando-se degradada, quando em 1999, o ex-prefeito Lee Myung Bak, decidiu despoluir o canal, demolindo o viaduto. Na época, a ideia entrou em polêmica com a sociedade, sendo necessárias diversas reuniões para demonstrar a importância da proposta. O projeto iniciou-se em julho de 2003 e foi concluído em 2005.
 Atualmente, a cidade tornou-se referência em sustentabilidade e qualidade ambiental. Conta também com um programa No Driving Day, que tem como propósito um dia na semana para paralisação de veículos, reduzindo 10% da emissão anual de CO2, diminuindo em 3,7% o volume de tráfego, que comporta dois milhões de veículos.

Arquiteta Fúlvia Mendes
(Foto: Facebook)
AS INTERVENÇÕES
(Versão 1)
Com a ocupação na bacia do Córrego das Lajes, a cidade de Uberaba necessitou de intervenções para que pudessem melhorar as condições urbanas.
Uma dessas intervenções foi realizada por Saturnino de Brito, importante engenheiro que participou do processo de implantação do urbanismo sanitarista do Brasil. Sendo assim, em 1922 realizou seu projeto referente a serviços de abastecimento de água e rede de esgoto da cidade...
Foi observado por Saturnino de Brito, que os cursos que nascem nos arredores da cidade corriam em boa declividade, não formando estagnações prejudiciais. Entretanto, o principal erro era os quarteirões serem cortados pelos cursos de água.
Dessa forma, a maneira irregular em que foi encontrada a cidade, dificultava seu projeto, com a insalubridade local e propagação de doenças contagiosas.
De acordo com Brito, o projeto de expansão deveria ser respeitado como um esquema, obedecendo aos princípios dos estudos, sendo realizado nas regiões onde as plantas topográficas haviam sido executadas, seguindo o exemplo em “Le Tracé Sanitaire de Villes” que constituía em vias públicas nas margens dos cursos de água e nos “Thalwegs” naturais. As ruas deveriam seguir as linhas de maior declividade do terreno.
Dessa forma, o projeto de Saturnino de Brito interferia diretamente nos córregos da cidade, o que os tornaria excelentes fatores para o saneamento, funcionando como drenos naturais, coletando águas pluviais, fornecendo além de tudo um cenário paisagístico interessante à cidade.”

AS INTERVENÇÕES
(Versão 2)
A partir de 1955, a Sociedade de Engenheiros de Uberaba passou a sugerir modificações na avenida Leopoldino de Oliveira, canalizando e tamponando o Córrego das Lajes, devido à sua má conservação, lançamentos de esgotos clandestinos e pela necessidade de alargamento das calçadas.
As obras de tamponamento se iniciaram mais tarde sendo finalizadas por volta de 1979.

AS INTERVENÇÕES
(Versão 3)
Após muitos anos de enchentes, a administração municipal elaborou o Projeto Água Viva, que tem como objetivo diminuir os problemas da água pluvial. Apesar dessas melhorias, ainda existe um longo caminho para a recuperação e despoluição dessa área.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após todos os levantamentos e análises, conclui-se que a proposta de renaturalização do Córrego das Lajes é interessante para a sociedade e para o meio ambiente, além de compreender a importância da sustentabilidade em um século que exige tais conceitos, com a intenção de mudar os hábitos que ainda são bastante agressivos ao meio ambiental, auxiliando e induzindo futuros projetos, que buscam criar cidades e sociedades de qualidade”.

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Córrego das Lajes na avenida Leopoldino de Oliveira, próximo à chácara dos padres dominicanos,
onde hoje é o Mercado Municipal. A foto é de 1938, de autoria desconhecida, foi restaurada
por Paulo Lemos e pertence ao Arquivo Público
HISTORICAMENTE FALANDO
(Avenida Leopoldino de Oliveira)
Em 1928 o agente executivo Olavo Rodrigues da Cunha desapropriou, por utilidade pública, os terrenos necessários à abertura de uma avenida, entre a rua Artur Machado e o Mercado Municipal.
Feita a concorrência pública, foi contratado o engenheiro Hugo Melo Matos de Castro para a execução das obras.
Em 1937 foram iniciadas as obras de canalização do Córrego das Lajes, calçamento de paralelepípedos, meio-fio, passeios de ladrilhos, curvas e terraplanagem, entre as ruas Artur Machado e Segismundo Mendes.
As obras foram abandonadas pelo engenheiro Hugo Melo. A Prefeitura Municipal rescindiu o contrato, fez outra concorrência pública, desta vez, assumindo o engenheiro civil Abel Reis, que concluiu as obras.
Decreto nº. 50, de 5 de março de 1938, denominou o logradouro de avenida Leopoldino de Oliveira e o decreto nº. 69, de 10 de maio de 1938, proibiu a construção de prédios ou quaisquer imóveis às margens dos córregos que atravessavam a cidade, na área urbana.
A extensão da avenida entre as ruas Artur Machado e Senador Pena se deu em 1939, e a execução dos passeios laterais ao canal da mesma, em 1943.
A portaria nº. 301, de 18 de janeiro de 1945, aprovou o prolongamento da avenida entre as ruas Senador Pena e Jaime Bilharinho, e também a construção das avenidas Santos Dumont e Fidélis Reis.
Na década de 1970, a avenida foi prolongada da rua Jaime Bilharinho até a rua Álfen Paixão, bairro Mercês; e da praça Coronel Manoel Terra até a rua Osvaldo Cruz.
Procedeu-se, ainda, a cobertura do Córrego das Lajes.
Com o crescimento da cidade, a avenida Leopoldino de Oliveira foi se prolongando, entre as décadas de 1980 a 1990.

Córrego das Lajes na avenida Leopoldino de Oliveira, próximo à chácara dos padres dominicanos,
onde hoje é o Mercado Municipal. A foto é de 1938, de autoria desconhecida, foi restaurada
por Paulo Lemos e pertence ao Arquivo Público
TECNICAMENTE FALANDO
(A abrangência do Córrego das Lajes)
Mais de 60% da malha urbana de Uberaba está inserida na bacia do Córrego das Lajes. Nota-se, pois, que a bacia do Córrego das Lajes é urbana, não se isentando, com isto, de problemas relacionados com enchentes sazonais.
O Córrego das Lajes é afluente esquerdo do rio Uberaba, de forma que a sua contribuição ocorre 60 Km a jusante da nascente do referido rio.
Sua bacia tem uma área de 2638 ha (26,38km2), com ponto mais alto na altitude 836,70 m, situado no atual loteamento Elza Amui (19º44’23,67”S, 47º53’35,58”W).
O ponto mais baixo da bacia, o qual naturalmente corresponde à sua foz, situa-se na altitude 694,60 m.
Nota-se, pois, que esses pontos estão distantes de 6774,90 m, apresentando um desnível de 142,10 m.
A foz do córrego das Lajes está na latitude 19º43’26,17”S e na longitude 47º57’20,12”W, localizada 300 m abaixo da travessia da Avenida Leopoldino de Oliveira sobre o rio Uberaba.
A declividade máxima da bacia é de 26,5%. A bacia tem uma largura máxima de 7889,2 m e comprimento de 6255 m.
FONTES E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
*MORAIS, O. R. de. Enchentes em Uberaba. (Monografia de Especialização). Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba – FAZU, Uberaba, 2001.
*CARVALHO, R. M. B. de. Vida e morte de um córrego: a história da expansão urbana de Uberaba, MG e do córrego das Lajes. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Uberlândia, MG, 2004. 300 f.
*Sousa, Joyce Silvestre de, 1983- Dissertação apresentada à Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Federal de Uberlândia, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Civil. 160 f.
*Biblioteca da UFU
*ARQUIVO PÚBLICO DE UBERABA. Documento fotográfico. Folha 3, 2001.
MENDONÇA, José. História de Uberaba. Edição Academia de Letras do Triângulo Mineiro, 1974

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QUEM FOI LEOPOLDINO DE OLIVEIRA
Jornalismo e política: as duas grandes paixões
(Idealizador da avenida)
Filho de Joaquim José de Oliveira e de dona Leopoldina Augusta de Oliveira, Leopoldino nasceu em Uberaba dia 18 de junho de 1893.
Desde menino revelou-se um espírito irrequieto, independente, altivo.
Internou-se no Ginásio Diocesano e passou a ser um aluno exemplar, bacharelando-se em 1910.
Depois, matriculou-se na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, onde se formou, em 1915.
Pobre, estudou à própria custa com muitos sacrifícios e dificuldades.
Foi revisor de jornais e cursava o terceiro ano de Direito quando passou a ser redator do Estado de Minas.
Desenvolveu pela imprensa memoráveis campanhas, sempre em prol das classes pobres e oprimidas.
Formado, voltou para Uberaba, onde abriu seu escritório de advocacia.
Militou, ardorosamente, na imprensa, tendo sido um dos nossos mais vibrantes jornalistas.
Colaborou no Lavoura e Comércio, na Gazeta de Uberaba e na Separação.
Empreendedor, ativo, audaz, Leopoldino de Oliveira, por ocasião do nosso magnífico ‘rush’ para as Índias esteve naquele país, de onde trouxe uma leva magnífica de zebus.
Ingressando na política, foi vereador e ocupou cargo de presidente da Câmara e agente- executivo, nos períodos de janeiro a abril de 1923, de janeiro a abril de 1924, e de janeiro a 16 de março de 1925.
Reorganizou o ensino municipal e as nossas escolas, preocupou-se com o saneamento da cidade e com a melhoria dos serviços de força e luz.
Idealizou a abertura (mais tarde realizada por Olavo Rodrigues da Cunha) da grande avenida central que, hoje, tem o seu nome.
Foi deputado federal, de 1924 a 1928.
Então, ao lado de Adolfo Bergamini, de Azevedo Lima e poucos mais, sustentou contra o governo uma campanha que empolgou o Brasil.
Seus admiráveis discursos de crítica e de combate ao governo, principalmente no caso dos exílios para a Clevelândia, eram lidos e aplaudidos em todo o país.
Tornou-se um nome nacional.
Foi casado com Maria Olímpia de Oliveira e teve dois filhos.
Faleceu em Belo Horizonte no dia 29 de agosto de 1929.
Referências bibliográficas
*ARQUIVO PÚBLICO DE UBERABA. Documento fotográfico. Folha 3, 2001.
*MENDONÇA, José. História de Uberaba. Edição Academia de Letras do Triângulo Mineiro, 1974.

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INTERVENÇÕES RADICAIS
Por Antônio Carlos Prata
_Maio de 2012
Avenida Leopoldino de Oliveira







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Um comentário:

  1. Parabéns Giselda, vc ilustrou e contribui com informações importantes a triste situação que Uberaba ainda convive com as enchentes. Abraços Antônio Carlos

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