10 de agosto de 2018

CONTA-GOTAS


CADA UM DELES TEVE PARTICIPAÇÃO NAS RELAÇÕES TUMULTUADAS ENTRE
UBERABA E UBERLÂNDIA (FOTOS: INTERNET)
Curiosidade histórica
UBERLÂNDIA X UBERABA
(Capítulo I)
Um dos casos mais emblemáticos de rivalidade do interior do Brasil, que ultrapassa questões puramente bairristas, refletiu o professor de História, Selmane Felipe de Oliveira
Distantes pouco mais de 100 quilômetros uma da outra, há cerca de 100 anos as duas maiores cidades da mesorregião do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba rivalizam em quase todos os aspectos, mas, especialmente, na disputa pelo desenvolvimento econômico.
Isso passa obviamente pela política, e em tempos mais recentes passou a desaguar  nas redes sociais.
Em Rivalidade entre Uberlândia e Uberaba (Cadernos de História, Uberlândia), o professor Selmane Felipe de Oliveira, mestre e doutor em História, especialista em Filosofia, diz que se trata “de um dos casos mais emblemáticos de rivalidade do interior do Brasil, que ultrapassa questões puramente bairristas, onde o enfrentamento de políticos e empresários das duas cidades moldaram durante o último século, duas das principais cidades de Minas Gerais”.
O texto, por sinal, foi um dos primeiros postados no blog PROFELIPE, criado por ele em maio de 2009, e ganhou outros espaços na internet e em publicações impressas.
O professor não tem dúvida de que a rivalidade entre Uberlândia e Uberaba é um aspecto ideológico importante, uma vez que é usada pelas lideranças das duas cidades para incentivar o progresso.
Ele lembra que Uberlândia foi distrito de Uberaba, mas que, desde sua emancipação sempre lutou pelo seu próprio crescimento.

TEMPESTADES SEMPRE À ESPREITA
Tempos de bonança entre Uberaba e Uberlândia geralmente não são levados muito a sério. Afinal, as tempestades estão sempre à espreira.
Principais lideranças das duas cidades, o atual prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP) – que nasceu em Uberaba; o prefeito de Uberaba, Paulo Piau (MDB), e o deputado federal majoritário de Uberaba e do Triângulo, agora candidato a vice-governador, Marcos Montes (PSD) – formado em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia/UFU, bem que ensaiaram uma amizade – daquelas consideradas “desde criancinhas”...
Mas qual o quê! Em menos de cinco meses (de abril a agosto de 2018) já foram duas tempestades de tirar o fôlego.

MOSAIC PÕE LENHA NA FOGUEIRA
A primeira encrenca surgiu quando a Mosaic Fertilizantes – que comprou a Vale, que havia comprado a Fosfertil, anunciou que implantaria seu Centro de Soluções Compartilhadas/CSC em Uberlândia, rasgando elogios pra cima da cidade – saúde, educação, tudo “era melhor e maior”, segundo a Mosaic. Uberaba reagiu como poucas vezes se viu na histórica rivalidade.
Após várias semanas de pesquisas – pra provar que Uberaba, apesar de menor, é melhor; de intensa disputa de oferta de facilitações tributárias, entre outras; de reuniões e mais reuniões – com e sem a presença de representantes da Mosaic; de declarações nada gentis nas duas câmaras municipais; e assim por diante, eis que a empresa bateu o martelo pela decisão mais coerente: o CSC vai ser instalado em Uberaba, onde está grande parte da cadeia produtiva da Mosaic.

AMIZADE...AMIZADE, ELEIÇÕES À PARTE
As eleições 2018 provocaram a segunda tempestade entre Uberaba e Uberlândia no período de abril/agosto. Dia 11 de junho o senador Antonio Anastasia (PSDB), então pré-candidato a governador de Minas Gerais fez voo rasante em Uberaba para receber homenagens, participar de reuniões e – confirmando o que já circulava extraoficialmente, para anunciar que seu vice seria o deputado federal Marcos Montes.
Ex-prefeito da cidade em duas gestões - onde tem sua principal base política e eleitoral e reside sua família, Marcos Montes também assumiu a coordenação política da campanha.  “Eu o escolhi por uma série de fatores, entre eles, por representar o interior de Minas, especialmente o Triângulo/Alto Paranaíba” – repete o agora candidato a governador por onde anda.
A tempestade aconteceu poucas horas depois, quando o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, anunciou que faria aliança com outro candidato a governador, neste caso, o deputado federal Rodrigo Pacheco (Dem) – que a exemplo de Anastasia escolheu para a vaga de vice alguém do Triângulo/Alto Paranaíba: a esposa de Odelmo, primeira-dama Ana Paula (PP).
As redes sociais ferveram. As duas câmaras de vereadores ferveram. Os veículos de comunicação de Uberaba ferveram...
De olhos arregalados, mas mantendo o estilo mineiro de fazer política, Antonio Anastasia e Marcos Montes saíram a campo elogiando Odelmo Leão e Rodrigo Pacheco, dando a eles “o direito da livre escolha”, e por aí afora.
Dia 6 de agosto veio a notícia comprovando que a mineirice também atuou nos bastidores: Rodrigo Pacheco desistiu da candidatura a governador e se aliou à chapa Anstasia/Marcos Montes para disputar o cargo de senador.
A primeira-dama de Uberlândia retomou o projeto inicial: ser candidata a deputada federal.
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Curiosidade histórica
UBERLÂNDIA X UBERABA
(Capítulo II)
Uberlândia, então São Pedro de Uberabinha, foi distrito de Uberaba e se emancipou em 1888, mas só ganhou o nome atual em 1929

ERivalidade entre Uberlândia e Uberaba (Cadernos de História, Uberlândia), o professor Selmane Felipe de Oliveira cita momentos – que seriam cômicos se não fossem trágicos, na disputa entre as duas cidades.

Momentos 
Texto do autor 
(Com reproduções de outros textos entre aspas...)

TRISTE LEMBRANÇA
"Na tribuna (da Câmara de Uberlândia) o vereador Jeová Abrahão protesta contra declarações do deputado José Marcus Cherém que tentou desmerecer Uberlândia, dizendo que Uberlândia antigamente era distrito de Uberaba, sob o nome de Uberabinha e que se emancipando, conseguiu um ‘razoável progresso’. (. . . ) O vereador Adriano Bailoni Jr. em aparte diz que éramos Uberabinha, mas agora queiram ou não queiram os despeitados, Uberlândia é a capital do Triângulo Mineiro."

MÁRIO PALMÉRIO
Inimigo nº 1 de Uberlândia

Outra questão polêmica entre Uberlândia e Uberaba foi a criação das faculdades na região. Como vimos anteriormente, Uberaba era considerada o centro cultural do Triângulo na década de 50. Neste período o principal responsável na luta pelas escolas superiores foi o deputado uberabense Mário Palmério.
Contraditoriamente, ele prometia, em campanha, conseguir faculdades para a região, mas, na realidade, as mesmas eram instaladas somente na sua cidade. Essa atitude revoltava os outros municípios triangulinos, acirrando ainda mais a rivalidade entre Uberlândia e Uberaba:

"Uberaba, indiscutivelmente, é cidade que possui o maior número de escolas superiores no Triângulo Mineiro, pelo fato de as outras cidades não possuírem nenhuma.
(. . . ) Com certeza os uberlandenses estão lembrados de um moço simpático, bem falante, acessível que (há uns 3 ou 4 anos) andou por aqui falando para todo mundo que mandaria para nós uma faculdade de medicina e com isto conseguindo um ótimo contingente de votos que o levou facilmente ao Palácio Tiradentes.
Pois este moço que nos prometeu faculdade de medicina em praça pública é o mesmo que a obteve para nossa vizinha e centenária Uberaba. Seu nome é Mário Palmério. Que ninguém esqueça dele."

Assim, se o deputado Mário Palmério havia sido bem votado em Uberlândia na campanha de 50, justamente pelas promessas de conseguir escolas superiores para a cidade, nos anos posteriores ele passou a ser visto como inimigo dos uberlandenses, na medida em que todos os benefícios eram encaminhados apenas para Uberaba.
(...) Portanto, na segunda metade da década de 50, Uberlândia já havia desistido de conseguir as faculdades para a cidade através do Mário Palmério. No seu lugar, foram adotadas outras estratégias para a conquista das escolas superiores, como a eleição de deputados uberlandenses e as campanhas pró ensino superior...

RONDON PACHECO
(Inimigo nº 1 de Uberaba)
Outro ponto que gerou conflito foi a administração do uberlandense Rondon Pacheco enquanto governador do Estado de Minas Gerais. De fato, o que ocorreu foram reclamações dos deputados uberabenses de que Rondon Pacheco estaria beneficiando somente Uberlândia.

Foi o caso da instalação da fábrica da Coca-Cola em Uberlândia - com os protestos do deputado Sylo Costa - e ainda a entrevista de outro deputado de Uberaba, Eurípedes Craide, que acusou o governador de estar "adotando uma política de regionalismo, levando benefícios para Uberlândia, que é sua terra natal, em detrimento de Uberaba, marginalizada pelo govêrno."

Do lado uberlandense, a defesa do governador:
"Nem acertou Eurípedes Craide dizendo que Rondon Pacheco faz política de regionalismo. Rondon Pacheco sempre foi um benfeitor do Triângulo Mineiro. Rondon Pacheco no Palácio da Liberdade é o próprio Triângulo Mineiro, pela primeira vez no governo de Minas.
Errou, foi injusto e leviano ao dizer que Rondon só está fazendo benefícios para Uberlândia. Desde o tempo em que era deputado federal trabalhou pela região. Deu muita coisa a Uberaba. Como a Uberlândia, a Ituiutaba, a Araguari, a Tupaciguara.
Ousamos afirmar que todas as estradas asfaltadas desta região foram obtidas graças a trabalhos de Rondon Pacheco.
Em nome de uma pretensa ‘rivalidade’, Craide atacou o governador Rondon Pacheco. Parece que não tinha nada o que falar e foi mexer num ponto intocável. Porque se existe um homem imparcial, um político honesto e inatacável, este homem é o sr. Rondon Pacheco.
Ele é ‘tão contra’ Uberaba que nomeou subsecretário de Agricultura de Minas Gerais o uberabense Hildo Totti”...

CIDADE INDUSTRIAL DO TRIÂNGULO
Outra questão que gerou conflitos entre as duas cidades foi a proposta da criação da Cidade Industrial do Triângulo, em 1959, de acordo com o projeto de um deputado de Governador Valadares. A promessa do governador Bias Fortes de escolher Uberaba como sede para tal empreendimento revoltou os uberlandenses, que convocados pela Associação Comercial uniram-se e lutaram contra a intenção do governador.
Nesta luta entre as cidades, destacava-se o papel dos políticos, mesmo nos casos das derrotas políticas, pois serviam de "alerta" para o próprio município.

- "Anunciada a hora do expediente solicitada a palavra o vereador Homero Santos para fazer um protesto contra as injustiças que vêm sendo praticadas contra Uberlândia em benefício da cidade de Uberaba. Informa que ainda agora quando já se tinha como certa que a estação de controle do serviço de micro-ondas, que servirá Brasília seria sediada em Uberlândia, chega a notícia de que mais esse melhoramento irá beneficiar a cidade de Uberaba, graças naturalmente ao trabalho mais eficiente de seus políticos."

CULPA DOS POLÍTICOS
Assim, as derrotas políticas eram analisadas como injustiças - afinal, Uberaba "tomava" o que pertencia por "direito" a Uberlândia - e também como falta de competência dos políticos uberlandenses. Diante de qualquer conquista, a cidade era convocada a unir-se e lutar, para não perder para Uberaba. Foi assim também com a questão do ensino.

DELEGACIA SECCIONAL DE ENSINO
(O vereador Urquiza A. F. Alvim) "(. . . ) comenta que está para ser instalada no Triângulo Mineiro, a Delegacia Seccional de Ensino. Os políticos de Uberaba já se movimentaram para levar para aquela cidade a referida delegacia. Uberlândia não pode ficar para trás em relação ao ensino. Conclama a todos para que se unissem e trabalhassem no sentido de trazer a Delegacia Seccional de Ensino para Uberlândia."

QUESTÃO DE CENSO
(Suspeitas)
A problemática da rivalidade foi tão marcante, que chegava-se a questionar os dados oficiais sobre o crescimento das duas cidades, como ocorreu com o Censo de 1970, quando o vereador Natal Felice colocava em dúvida os dados referentes ao censo de Uberlândia, que na realidade "ultrapassa em muito o progresso da vizinha cidade."
Do lado de Uberaba, eram levantadas suspeitas de "que o Juiz de Uberlândia fraudou o alistamento eleitoral”.

IMPRENSA
Em 1973 aconteceu mais um atrito. Desta vez o motivo foram as críticas do jornal Correio de Uberlândia à TV Uberaba. Entre outras coisas, o jornal dizia que o comércio e o povo de Uberaba não apoiavam seu próprio canal de TV, e que em virtude do corte da metade de seus funcionários e "a redução drástica de seu horário de funcionamento", ficava claro "que a televisão de Uberaba caminha para um final melancólico, bem diferente daquele que se esperava quando de sua inauguração."
Como resposta, os jornais uberabenses Lavoura e Comércio e Jornal da Manhã, juntamente com a Câmara Municipal de Uberaba, saíram em defesa de sua cidade, questionando a reportagem do Correio de Uberlândia e expondo "as várias iniciativas da TV Uberaba, que demonstram sua vontade de progredir e crescer."
No final, um pouco constrangido, o jornal uberlandense afirmava ter "consciência de um dever cumprido" e desejava sucesso para o canal de TV uberabense, concluindo contraditoriamente - já que no primeiro artigo acusava a TV Uberaba de caminhar em marcha ré, devido, entre coisas, ao bairrismo dessa cidade .

CAPITAL DO TRIÂNGULO
A problemática da rivalidade chegou a atrapalhar uma das grandes lutas e reivindicações da região: a separação do Triângulo de Minas Gerais. Havia união: todos queriam separar-se de Minas Gerais e constituir-se num Estado independente, mas onde seria a capital? Nas campanhas separatistas, oficialmente essa questão não era muito analisada, para evitar atritos entre as cidades triangulinas, sobretudo, claro, entre Uberlândia e Uberaba.
Entretanto, alguns políticos tentavam solucionar este problema, incluindo uma terceira cidade para ser a capital do Triângulo. Essa era a postura do ex-prefeito de Uberaba, Hugo Rodrigues da Cunha, que dizia que a capital poderia ficar em Araxá.
A proposta do ex-prefeito, porém, não agrada de fato nem aos uberlandenses nem ao uberabenses. O sentimento bairrista era mais forte, o que reforçava a rivalidade entre os dois municípios. Aliás, a rivalidade neste contexto já era percebida em 1948, quando o jornal Diário de São Paulo analisou a separação do Triângulo:
"A velha rivalidade existente entre Uberaba e Uberlândia, as duas principais cidades do Triângulo Mineiro, tem sido o maior obstáculo às pretensões separatistas do antigo Sertão Farinha Pobre. Tanto Uberaba como Uberlândia, como os demais municípios mineiros, possuem fortes razões para desejar a independência do Triângulo, encaixando assim mais uma estrelinha na bandeira do Brasil. Mas acontece que, criando-se um novo Estado, criar-se-ia consequentemente uma nova capital .... e aí é que está o busílis. Uberaba, de forma alguma abriria mão desta prerrogativa; Uberlândia tampouco.
Ambas as cidades julgam-se dignas do pomposo título e das vantagens de capital. Uberaba apóia-se em razões históricas, Uberlândia em razões futuras; e assim, ambas temem a realização do velho sonho, na expectativa de que uma delas sairá mais beneficiada do que a outra."

MOMENTOS RAROS
(Chico Xavier e Tancredo Neves)
Além da luta pela separação do Triângulo - que unia as cidades triangulinas, apesar do problema da capital - , ocorreram momentos - raros, com certeza - em que a rivalidade era colocada num segundo plano. Um desses momentos foi a campanha pelo Nobel da Paz para o uberabense Chico Xavier, que contou com o apoio de Uberlândia.
Outro momento foi a eleição de Tancredo Neves como governador de Minas Gerais, que contou com um acordo entre prefeitos do PMDB de Uberlândia e Uberaba, para que não houvesse pressões na escolha dos cargos do governo, que prejudicasse uma ou outra cidade. Essa tentativa dos prefeitos do PMDB de preservar os interesses do partido demonstrava que a rivalidade entre as duas cidades não apenas existia, como era um problema a ser enfrentado pelo próprio governador. Em outras palavras, por mais que o PMDB da região - como em todo o Brasil - pregasse em campanha um projeto de mudança, de renovações, de fato, questões antigas e problemáticas, como a rivalidade entre Uberlândia e Uberaba, não deixavam de existir.
Em suma, o bairrismo permanecia, independente dos partidos políticos e de seus projetos. Poderiam ocorrer propostas de conciliação ou mesmo políticas onde se tentasse anular a questão da rivalidade, mas isso, na prática, através da própria negação somente reconhecida, quando não reforçava o sentimento bairrista.

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Presidência da República
ELES SÃO 13

A política brasileira foi movimentada pela temporada de convenções partidárias (20 de julho a 6 de agosto) destinadas a definir os candidatos e as alianças para as eleições gerais de outubro de 2018 (que acontecem dias 7 de outubro no 1º turno e 28 de outubro, se houver 2º turno).
As legendas têm até 19h de 15 de agosto, quarta-feira, para apresentarem na Justiça Eleitoral requerimento de registro dos candidatos – e até esta data, portanto, podem promover alterações.
Exemplo de mudança esperada é a que se relaciona à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso em Curitiba, e deverá ser impugnado por causa de condenação em segunda instância (lei da ficha limpa).
Se acontecer, o candidato a vice-presidente homologado pela convenção do PT – Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, deve assumir o lugar de Lula. Para a vaga de vice o nome seria de Manuela D'Ávila, do PC do B, que desistiu da candidatura própria e se aliou ao PT.






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Um comentário:

  1. Parabéns Giselda por nos brindar com esse registro de história de duas irmãs que se amam e se odeiam conforme lhes convém (rsrsrsrsrs) Isso é Família! Abraços do seu amigo AMARAL #VamosConversando

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